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Mundial 2014

Mundial 2014 será um "mundo de elefantes brancos"

04.02.2012 - 22:32 Filipe Escobar de Lima

Foto: Miguel Manso
"Veremos a construção de um mundo de elefantes brancos" no Brasil, diz Juca Kfouri, sobre o Mundial 2014

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Comentário do leitor

  • Juca Kfouri 05.02.2012 17:19, São Paulo, Brasil
    ruy, brasil, se engana em relação à pronúncia de meu nome, que é exatamente como o jornal explica, o que é irrelevante. Mas erra ao supor que os estád...

O Campeonato do Mundo volta a casa em 2014. O país do futebol vai entrar em festa, que se prolonga até 2016 com os Jogos Olímpicos. Todo o brasileiro satisfeito. Todo, menos Juca Kfouri.

Durante dois anos, o Brasil vai receber as duas provas desportivas mais importantes do planeta. O país do futebol vai entrar em festa com o Campeonato do Mundo em 2014 e continua até 2016 com os Jogos Olímpicos. É todo um samba feito desporto e deixa todo o mundo satisfeito. Todo o mundo não, Juca Kfouri, o jornalista mais polémico do Brasil é contra e aponta o dedo à corrupção.

Fala em entregar a soberania de um país à FIFA, o organismo que controla o futebol mundial. A isenção de impostos, os convidados VIP, publicidade enganosa, as bebidas alcoólicas de volta aos estádios. "Tudo isso já está no caderno de encargos", conta Juca. Quem?

Juca Kfouri (lê-se "quifuri") é um homem contra o sistema, uma voz isolada que grita no meio do silêncio, palavras que são balas disparadas aos "cartolas", os engravatados. Fá-lo na sua coluna no jornal Folha, de São Paulo; no seu programa na rádio CBN ou na TV (ESPN). São diárias as suas declarações contra a política da FIFA e a Ricardo Teixeira, presidente da Confederação Brasileira de Futebol.

Ele é o rosto dessa "oposição" silenciada, um dos mais mediáticos do país, mas praticamente um desconhecido em Portugal, pelo menos pelos portugueses já que os brasileiros, durante a semana de férias que o jornalista passou em Lisboa no início do ano, faziam questão de lhe falar quando se cruzavam com ele na rua. Como diz o seu biógrafo (sim, já tem uma biografia publicada) Kfouri é um "militante da notícia".

À semelhança do senhor K. do livro de Kafka, Kfouri desafia o poder instalado no Brasil. Ataca-o. Mas ao contrário do Processo, onde Josef K. desiste e acaba por morrer, Juca K. parece crescer, cada vez mais mediático e omnipresente.

Não consegue estar calado

Não é fácil a Kfouri passar despercebido. É alto, gosta de falar num tom raramente baixo e gesticula muito, uma espécie de elefante numa loja de louça. O oposto, conta, do amigo Luís Fernando Veríssimo, o "jornalista das letras do Brasil" que era capaz de passar uma noite calado a observar e depois fazer um livro de contos dessas horas passadas.

Não, Juca Kfouri, 61 anos, nunca passa na sombra e não sabe fazer jornalismo sem denunciar. Não consegue estar calado. Por isso, os seus detractores não hesitam em chamá-lo de "maníaco por fracasso", "mal-humorado" ou antipatriota".

Formado em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo, foi director das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). É comentarista desportivo desde 1984, entrou na Rede Globo em 1988 e saiu em 1994).

Actualmente está ESPN-Brasil, foi colunista da Folha entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha. O seu trabalho deu-lhe notoriedade na sociedade civil, mas também fê-lo um coleccionador de processos.

Kfouri já enfrentou perto de uma centena de acções por calúnia, injúria e difamação, desde 1981. É réu em processos movidos pelo treinador de futebol (e antigo seleccionador do Brasil) Vanderlei Luxemburgo, pelo ex-presidente da Federação Paulista de Futebol, Eduardo José Farah, pelo presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Ricardo Teixeira, pelo líder máximo da FIFA, Joseph Blatter, entre outros, alguns colegas de profissão. "São pessoas que não aceitam críticas e recorrem à Justiça na tentativa de intimidar a imprensa", conta Kfouri, referindo-se aos dirigentes desportivos e aos "cartolas", o seu alvo preferencial.

O jornalista lembra também que, grande parte dos processos que ainda tem, são do tempo de uma série de acusações feitas pela revista Placar, na década de 80, sobre a "Máfia da Loteria Esportiva", quando era editor da publicação.

E prepara-se para aumentar o currículo de queixas. O tom das suas críticas aumentou quando a FIFA decidiu entregar ao Brasil a organização do Campeonato do Mundo, em 2014, e o Comité Olímpico Internacional também escolheu o país como sede dos Jogos de 2016. Há muito dinheiro em jogo, mas distribuído por poucas mãos. O último dos seus cinco livros publicados chama-se Por que não desisto - Futebol, Poder e Política (2009).

"Temos os dois maiores eventos desportivos da humanidade e vamos fazer ao nosso modo, isso é preocupante", destaca. "A França [em 1998] teve como símbolo Platini, a Alemanha [2006] teve Beckenbauer. Aqui na carência vamos ter o mesmo presidente [da Confederação Brasileira de Futebol (CBF)] de há 21 anos, Ricardo Teixeira...", ironiza. O Brasil é o país de Pelé, Zico, Ronaldo, Ronaldinho, Neymar...

Tinha de acontecer. O Campeonato do Mundo (no Brasil chamam-lhe Copa do Mundo) volta à casa do futebol (sabendo que foi a Inglaterra que inventou este desporto). É a primeira vez depois da grande decepção de 1950, quando o Brasil perdeu a final do Mundial no Maracanã, frente ao Uruguai. Dois anos depois, o país do futebol vai receber os Jogos Olímpicos. É aqui que entra, mais uma vez, Juca Kfouri.

"Se fosse para fazer a Copa do Brasil no Brasil, aí sim, valeria a pena... Se fosse para renovar as cidades, melhorar a vida dos brasileiros, aí sim, estaria correcto", conta. "Não uma Copa do Mundo da Alemanha no Brasil. Claro que o Brasil pode fazer uma Copa, mas tem de fazer dentro das nossas possibilidades". O receio - e dá o exemplo do que aconteceu em Portugal com o Euro 2004 -, é o que irá acontecer depois do evento acabar.

"O que vai acontecer é que veremos a construção de um mundo de elefantes brancos", diz, referindo-se aos estádios. Sem esquecer o principal responsável, Ricardo Teixeira, presidente da CBF, "hoje um dos cinco homens mais poderosos do país". "Hoje poucas pessoas mandam tanto quanto ele por aqui...". (Fotogaleria do Brasil em mudança)

E o receio é que se repitam os "disparates" de provas anteriores. "Na Cidade do Cabo [Mundial 2010] fizeram um estádio maravilhoso, uma das coisas mais lindas que já vi. Mas desalojaram quatro mil famílias. Agora falam em demolir porque nunca mais ocuparam o estádio", lembra Kfouri. "Vamos repetir isso no Recife, apesar de o Náutico ter dito que poderá usar o novo estádio. Mas e em Brasília, Cuiabá, Natal? Nem futebol profissional há por lá".

O que assusta o jornalista é um custo tão grande para tão pouco tempo. E cita o Soccernomics, a versão futebolística de Freakonomics. "Nenhum país ficou mais rico por fazer uma Copa do Mundo, mas todos ficaram mais felizes durante um mês", diz. Vale a pena pagar isso para ver um país feliz durante esse tempo?, pergunta e dá a resposta. Esta é negativa e, por isso, tem andado a espalhar a sua preocupação por onde passa.


COMENTÁRIOS DOS LEITORES

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Jumba, KalkBay. 14.02.2012 14:06
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Os paises que organizam eventos procuram apenas promulgar turismo. Nao sei onde Portugal ira utilizar os Estadios que nao usa. Penso que 4 dos nossos Estadios nao sao usados. Os que sao e porque estao afectos ao clube em questao. Mas o que fazer no caso do Brasil. Serve apenas para promocao do pais e pouco mais. Em todos os campeonatos do mundo ha gastos loucos. Cape Town, tive la ha meses e fiquei a saber que e um Estadio as moscas. Estadio maravilhoso mas agora para que serve?
Adalberto F Barreto, São Paulo - Brasil. 08.02.2012 00:11
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Juca Kfouri é raro enganar-se. Creio que vai acertar mais uma vez. Admiro-o pela sua coragem e frontalidade. É o jornalista que eu definiria do "antes-quebrar-que-torcer". E isto é uma virtude que não está ao alcance de um qualquer...
Salmeirao, Carcavelos. 06.02.2012 11:32
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Não podemos comparar o Brasil 2014, com o Euro 2004. Primeiro, porque o Brasil tem 4 grandes clubes em Sao Paulo, mais 4 no Rio de Janeiro, 2 em Minas, 2 no Rio Grande do Sul, 2 na Bahia e assim vai. No total, temos muitos clubes de futebol fortes, enquanto Portugal tem 3 grande clubes (e o Braga correndo por fora). Vão existir alguns elefantes brancos, Brasília é complicado, mas acredito que os cariocas vão acabar usando o estádio (um jogo do flamengo enche o estádio!) e outros eventos irão rentabilizar.
Anónimo, Brasil. 06.02.2012 11:12
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Juca Kfouri é sempre polêmico, mas é corajoso. Fazer grandes eventos internacionais raramente beneficia o país sede, (principalmente os que possuem altos índices de corrupção institucional, como o Brasil ) vide a Grécia que sediou as Olimpíadas em 2004 e hoje está na pior bancarrota da Europa e ainda em convulsão social.
Jim Pereira, Massamá, Portugal. 05.02.2012 17:53
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Estou com Juca e não abro! (...)
Juca Kfouri, São Paulo, Brasil. 05.02.2012 17:19
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ruy, brasil, se engana em relação à pronúncia de meu nome, que é exatamente como o jornal explica, o que é irrelevante. Mas erra ao supor que os estádios de Manaus, Natal, Brasília (que não tem nenhum time nem na segunda divisão nacional...), Cuiabá, não ficarão ociosos. E delira ao imaginar que eu ganhe 200 mil dólares!
ruy, brasil. 05.02.2012 16:26
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Os estádios serão p/ multiplo uso e poderão gerar receita todo o ano. Só quem não conhece os benefícios da construção nos anos 60 do 'Mineirão'para o crescimento do futebol mineiro pode com tal antecedencia prever 'elefantes brancos'.Mas o Brasil é novo no ramo e pode cometer erros,veja a Espanha,velha no assunto,q resolveu construir a tal de Caja Mágica para o tênis só para seduzir o COI e ganhar a Olimpíada de 2016,custou o dobro do previsto,acaba de perder seus únicos inquilinos e o governo local não sabe o q fazer!Ao contrário do q diz JK várias obras estão sendo feitas não só nas cidades onde haverá competições e muitas delas nem mesmo tem relação direta com os eventos pq fazem parte de um gigante programa de infraestruturas do governo do qual os eventos esportivos são parte mínima
ruy, brasil. 05.02.2012 16:18
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Não existe esse tal "oposição" silenciada, o próprio Juca q está em alguns dos maiores canhões de mídia é prova disso, e ele está longe de ser o único crítico! Juca ganha um salário de quase 200 mil doláres por mês graças ao seu talento e nome construído ao longo de uma carreira e pode por isso ser independente. Seu papel em denunciar eventuais desvios e desmandos é perfeito, não concordo é com seus exageros, não dá para vaticinar q haverá 'elefantes brancos', os lugares citados já frequentaram com sucesso o Campeonato Brasileiro nas décadas de 70 e 80, Cuiabá (capital de um dos 10 estados mais ricos), Manaus (das 5 cidades mais ricas), Brasilia (3ª cidade mais rica,única cidade do país a ter o seu próprio campeonato de futebol e com o mesmo status dos Estaduais dos outros estados) etc
joaquim hiorácio serra leitão, combra. 05.02.2012 15:15
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este homem tem razão. conmtinuam a existir dezenas de milhões de pobres no brasil estoirar assim dinheiro é evidentemente uma estuoidez. depois a notícia mais uma vez erra. existirão milhares e mikhares de brasileito que estão contra este evento. não +é só este. em portugal 2uando foi do euro 2004 também milhares de portugueses foram- conm tida a razão- contra esse autêntico crime de lesa- patria, como hoje se vê, só que os ignorantes alinharam - com sempre- contra os seus interesses e aplaudiram a gatunaqgem que para seu próprio benefício( direto ou indireto) contribuiu decisivamente para a desgraça deste país. os patriotas eram aqueles , afinal que não puseram bandeiras na janela como lucidamente pediu na altura josé saramago.
EfeGueiros, Brasil. 05.02.2012 14:47
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Todos os pessimistas tem seu dia de excesso. É impossível se negar que os custos com os estádios serão "excessivos". Vários fatores primorarão por isto, a começar pelos abusos de natureza pessoais daqueles que prestam serviços diretos (mão de obra) física mesmo! Os sindicatos de classes andam a ver o paraíso... Político e monetário. Entretanto, acho ainda muito cedo fazer-se o estardalhaço que tem sido feito. Haverá de algo sobrar em benefício do povo. Isto com ou sem altos gastos. Alguem pelo caminho dos comentários aqui disse: Precisamos de desafios para acordarmos. Senão ficamos assistencialmente fazendo o mínimo. Que leva a nada ou coisa alguma!

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O "bullet time" de Djokovic

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4 Sporting 30 18 5 7 47 26 59
5 Marítimo 30 14 8 8 41 38 50
6 V. Guimarães 30 14 3 13 40 40 45
7 Nacional 30 13 5 12 48 50 44
8 Olhanense 30 9 12 9 36 38 39
9 Gil Vicente 30 8 10 12 31 42 34
10 P. Ferreira 30 8 7 15 35 53 31
11 V. Setúbal 30 8 6 16 24 49 30
12 Beira-Mar 30 8 5 17 26 38 29
13 Académica 30 7 8 15 27 38 29
14 Rio Ave 30 7 7 16 33 42 28
15 Feirense 30 5 9 16 27 49 24
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