Estava decidido que John Terry só seria julgado no final do Campeonato da Europa, prova que termina no dia 1 de Julho. Mas a pressão sobre os membros da Federação Inglesa de Futebol (FA), pedindo uma punição imediata ao defesa do Chelsea, aumentou. Ontem, os dirigentes daquele organismo reuniram-se e, apesar de terem deixado claro que a convocatória do jogador irá depender apenas dos critérios do seleccionador Fabio Capello, decidiram que o atleta "não voltará a ser capitão da selecção de Inglaterra até que se resolva o caso" em que está envolvido e relacionado com as acusações de racismo.
David Bernstein, presidente da FA, reuniu-se com outros 12 membros da federação e a maioria manifestou-se contrária à permanência de Terry como capitão da selecção após as denúncias de Anton Ferdinand, do Queens Park Rangers. O defesa do Chelsea terá proferido ofensas racistas durante o jogo, realizado em Outubro do ano passado. E isto foi o suficiente para apressar a decisão, mesmo contrariando a intenção de Capello, que queria manter Terry como o líder da equipa que vai ao Europeu (que se inicia a 8 de Junho).
"Como a decisão do tribunal só será conhecida depois do Europeu, a FA decidiu, em consenso, tirar todas as responsabilidades de capitania a John [Terry]", diz o comunicado oficial. "Mas isto não o exclui de ser convocado se assim o considerar Fabio Capello". A decisão não terá caído bem ao jogador, que pondera deixar de jogar pela Inglaterra. O irmão do ofendido, Rio Ferdinand, defesa central do Manchester United, já anunciou que não pretende ocupar o lugar de Terry na selecção.
Esta é a segunda vez que Terry se envolve numa polémica que o faz perder a condição de capitão da selecção. No ano passado, após denúncias de que se teria envolvido com a namorada do companheiro de equipa Wayne Bridge, foi o próprio Capello a não ter dúvidas e a punir o defesa da mesma forma. Agora, o técnico italiano que está à frente de Inglaterra desde Janeiro de 2008 esperava segurá-lo como líder da sua equipa no Euro 2012.
O seleccionador sabe que Terry, 31 anos, é um jogador importante. Tem quatro Ligas e três Taças de Inglaterra conquistadas, foi eleito o melhor defesa da UEFA em 2005 e 2008, incluído no melhor "onze" do Mundial 2006 e foi várias vezes representante da equipa ideal do Europeu e da Premier League. Só que o mau comportamento do jogador fora do futebol é quase proporcional. E isso tem-lhe custado dissabores.
O último caso, de alegados insultos racistas a Ferdinand, pode afastá-lo de vez da selecção, avançou ontem o Guardian, já que o jogador terá ficado desagradado com esta decisão. Em Inglaterra, o comportamento racista no futebol está ser combatido com mais veemência. O uruguaio Suárez, do Liverpool, foi castigado com oito jogos por ter sido acusado de comportamento racista com Evra, defesa do Man. United. Agora é Terry a estar sob investigação, levada a cabo pela Scotland Yard.
Segundo Daniel Seabra, doutorado em Antropologia Social e Cultural, a "maior mediatização e sensibilidade" tornam menor o "linear de tolerância ao racismo". "O conceito social dá mais margem para que o visado se possa queixar". Uma consciencialização crescente que pode levar ao aumento dos castigos.