Carolina Borges-Mendelblatt acusa a federação de nunca lhe ter pago os subsídios "a que tinha direito"
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A atleta iria competir na classe RS:X
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Vela

Velejadora portuguesa queixa-se de "grande falta de consideração"

A velejadora Carolina Borges-Mendelblatt, que foi afastada da comitiva portuguesa depois de ter renunciado a entrar em competição nos Jogos Olímpicos, diz-se alvo de "uma grande falta de consideração" por parte da Federação Portuguesa de Vela e do Comité Olímpico de Portugal.


Em entrevista ao jornal A Bola, Borges-Mendelblatt – casada com o velejador norte-americano Mark Mendelblatt, que compete em Londres 2012 na classe Laser – revela que está grávida de três meses, queixa-se de ser o único elemento da equipa de vela sem treinador nos Jogos Olímpicos e acusa a federação de nunca lhe ter pago os subsídios "a que tinha direito".

"Toda a gente da equipa de vela teve direito a trazer um treinador", afirma Borges-Mendelblatt. "Eu pedi acreditação para o meu, mas não foi concedida, antes entregue a um fisioterapeuta", acusa. "Depois falei com os outros portugueses e descobri que todos têm treinador. Fartei-me de pedir apoio...", queixa-se.

"Nunca recebi os subsídios a que tinha direito. Aliás, nunca tive apoio nenhum. Nem financeiro, nem moral. Assinei uma coisa a dizer que ia receber dinheiro e até agora nada", afirma ainda.

Mas a razão principal, segundo a atleta, terá sido o facto de estar grávida – um facto que admite nunca ter transmitido à federação: "Este não é um problema deles, não têm de saber."

"Estou grávida de três meses e o campo das primeiras regatas da classe seria longe, logo muito perigoso para mim. Nas pranchas à vela não dá para levar nada connosco, é preciso um barco de apoio. Aliás, todo o apoio falhou. Fui adiante com a decisão de não competir por não ter ajudas. Confesso que fiquei com medo de ir para longe em regata e ficar numa situação que me colocasse em perigo", explica.

Confrontada com o facto de não ter sido vista pelo médico da missão olímpica portuguesa, Carolina Borges-Mendelblatt afirma que foi vista "por um médico da Aldeia Olímpica", já que "aqui em Weymouth só há mesmo um fisioterapeuta". "Conversei com ele e concluímos que tinha de tomar uma decisão que fosse a melhor para mim", afirma.

Ao início da tarde de terça-feira, o chefe da missão olímpica portuguesa, Mário Santos, explicou a razão do afastamento da velejadora: "Pela manhã recebi uma informação por parte da atleta, que por motivos pessoais e médicos não iria participar. Tentei contactá-la e tal não foi possível", disse.

"Independentemente das razões, entendemos que não é o procedimento correcto. Temos uma equipa médica e uma chefia de missão e os atletas podem invocar motivos para não participar, mas [a desistência] terá de ser com conhecimento prévio e através de uma decisão em conjunto", acrescentou o chefe de missão.

A falta de contactos impossibilitou a realização de qualquer exame médico a Carolina Borges-Mendelblatt e a atitude da atleta deixou-a sob a alçada disciplinar da missão olímpica.

"Perante esta atitude decidimos cancelar a sua acreditação e vamos averiguar as razões", acrescentou Mário Santos, confessando-se surpreendido com este caso.

"Foi uma enorme surpresa, porque ela ainda ontem se treinou e até esteve lá o treinador responsável pela prancha à vela", disse o responsável pela missão portuguesa.

Carolina Borges-Mendelblatt, 33 anos, competiu pelo Brasil em Atenas 2004, onde foi 25.ª classificada.

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