<p>Mário Santos, chefe da missão olímpica Londres 2012 e presidente da Federação Portuguesa de Canoagem</p>

Mário Santos, chefe da missão olímpica Londres 2012 e presidente da Federação Portuguesa de Canoagem

Foto: Pedro Maia
Canoagem

"Sabia que num dia bom iam discutir o ouro", diz Mário Santos

Emocionado e duplamente feliz, Mário Santos, chefe da Missão de Portugal aos Jogos Olímpicos Londres2012, ouviu as primeiras palavras de Fernando Pimenta e Emanuel Silva após a conquista da medalha de prata em K2 1.000: “Já está”.


“É normal sentir esta emoção, como português, presidente da federação de canoagem, alguém que os conhece desde miúdos e trabalha com eles há oito anos. Nós os três é que sabemos o que conversámos no momento em que a federação apostou que o K2 vinha aqui. Sabíamos que num dia normal iam ganhar uma medalha e num dia bom iam discutir o ouro. Foi isso que aconteceu”, afirmou Mário Santos.

No plano de água de Eton Dorney, a dupla portuguesa terminou a prova em 3m09,699s e ficou a 53 milésimos da medalha de ouro conquistada pelos húngaros Rudolf Dombi e Roland Kokeny, relegando para o bronze os alemães Martin Hollstein e Andreas Ihle, campeões olímpicos em Pequim. Este é o melhor resultado de sempre da canoagem em Jogos Olímpicos, depois do sexto lugar de José Garcia em K1 1.000 em Barcelona 1992.

A primeira e até agora única medalha conquistada pela delegação lusa em Londres significa, para Mário Santos, “uma enorme alegria para todos os portugueses, em especial para a família da canoagem, mas acima de tudo para todos os portugueses” e é prova de que “é preciso acreditar, lutar e, acima tudo, trabalhar”.

“Nem sempre trabalhando muito conseguimos ter o nosso momento de inspiração. O Fernando Pimenta e o Emanuel Silva confirmaram algo que nós na canoagem já sabíamos há muito tempo. Todos os portugueses têm de estar felizes, porque também conseguimos ser competentes, lutar com os melhores, chegar aqui e conseguir um resultado destes”, sublinhou.
O responsável entende que numa participação portuguesa que “teve momentos bons e momentos menos bons” até agora “não há salvadores da pátria” e que o K2 não pode ser visto dessa forma, sublinhando que “este é um momento excelente, de superação” e uma prova de Portugal pode lutar por medalhas.

“Para isso basta ter bons atletas e trabalhar bem e ter a sorte que alguns bons atletas e que trabalham bem aqui não tiveram”, referiu.

No balanço após a primeira semana, Mário Santos disse que poderia a haver alguma surpresa até ao final nos Jogos, mas não se referia a Fernando Pimenta e Emanuel Silva, porque “quem conhece os meandros da canoagem sabe que houve uma grande aposta neste barco, nem sempre com o acordo de todos”.

“Felizmente chegámos aqui e mostrámos que apostar é meio caminho andado”, sublinhou Mário Santos, em alusão à resistência inicial de Fernando Pimenta em abdicar da participação em K1 1.000, cujas provas decorriam separadas das de K2 por períodos inferiores a meia-hora, o que significaria um esforço suplementar e que poderia condicionar o desempenho.