<p>No parque olímpico só se vendem produtos dos patrocinadores oficiais</p>

No parque olímpico só se vendem produtos dos patrocinadores oficiais

Foto: Neil Hall/Reuters
Finanças

Recorde olímpico nas receitas

Para organizar mais de 30 "campeonatos do mundo", ainda por cima masculinos e femininos, a decorrer simultaneamente num período de duas semanas é preciso dinheiro. E o Comité Olímpico Internacional tem muito. O actual ciclo olímpico, que inclui Vancouver 2010 (Inverno) e Londres 2012 vai bater todos os recordes de receitas, que passarão pela primeira vez a fasquia dos seis mil milhões de euros, depois de no período correspondente anterior (Turim e Pequim) terem sido obtidos 4,4 mil milhões de euros, também um máximo.


As estimativas para o período entre 2009 e 2012 apontam para receitas de 6,5 mil milhões de euros (ao câmbio actual) - o COI afirma que distribui 90% dos rendimentos aos comités olímpicos nacionais e a outras organizações que pertencem ao movimento olímpico. Metade dessa verba foi obtida com a negociação dos direitos de transmissão televisiva. Os 3,2 mil milhões de euros que o COI recebeu nesta parcela - 1,6 deles da norte-americana NBC - significam um aumento de 52% em relação ao ciclo anterior. Além disso, os Jogos são patrocinados por 11 empresas internacionais, que pagaram cada uma, em média, 70,4 milhões de euros, para um total de 775 milhões, por direitos de marketing mundiais. Os Jogos de Inverno de Vancouver originaram 801 milhões, enquanto a organização local de Londres 2012 angariou mais 1,7 mil milhões de euros, divididos por 41 patrocinadores locais (875 milhões), vendas de bilhetes (775 milhões) e direitos de licenciamento (101 milhões).

Ao contrário das outras grandes competições internacionais, os patrocinadores não podem publicitar os seus produtos no perímetro das instalações olímpicas - por isso não se vê nenhuma publicidade durante a transmissão das provas. Mas, por outro lado, têm o exclusivo da venda dos seus produtos e serviços nas infra-estruturas olímpicas.

Uma garrafa de Coca-Cola de 500 mililitros é vendida por 2,9 euros, uma de água por dois e um queque por 3,15 euros. Tirar uma foto com a tocha olímpica custa 19, 38 ou 63 euros, dependendo da opção pretendida. Há duas enormes lojas de venda dos produtos oficiais dos Jogos, e dezenas de outros pontos de venda mais pequenos nos 200 hectares do Olympic Park, além de pelo menos uma em todas as outras infra-estruturas de Londres 2012 que não se situam em Stratford. Os programas diários (6,34 euros) e os gerais (12,68) venderam-se que nem pãezinhos quentes. E os pagamentos são feitos apenas com dinheiro ou com cartões Visa, o que originou críticas de espectadores menos avisados. "Estamos orgulhosos de só aceitar Visa", lê-se nas máquinas de multibancos.

Polícia das marcas olímpicas

Os Jogos são uma máquina de fazer dinheiro. E o COI protege a sua marca e os seus patrocinadores de forma bastante incisiva. Sebastian Coe, o presidente do Comité Organizador de Londres (LOCOG), chegou a dizer - e foi criticado por isso - que quem tentasse entrar nos recintos olímpicos com uma t-shirt da Nike, concorrente do patrocinador Adidas, seria impedido. Entretanto, o LOCOG disse que não seria tão estrito, mas houve casos protagonizados pela "polícia das marcas olímpicas", uma entidade que patrulha Londres e outras localidades para proteger os direitos do COI ou procurar artigos de contrabando, que roçaram a anedota. Um café chamado Olympic foi obrigado a mudar de nome e é agora o Café Lympic. Um talho em Weymouth, onde decorreram as competições de vela, teve de retirar da montra cinco anéis feitos de salsichas e entrelaçados como o símbolo dos Jogos.

As lojas não podem usar frases registadas e o uso das palavras "ouro", "prata" ou "bronze" é muito limitado. Uma confeitaria foi avisada para deixar de publicitar a sua "baguete tocha flamejante". A última preocupação? Saber quem fez entrar na aldeia olímpica uma grande quantidade de preservativos que pertencem a outra marca que não a oficial.