A ginasta Sui Lu (à esquerda na foto) não parece muito feliz com a sua prata
Foto: Thomas Coex/AFP

Sui Lu após a prova
Foto: Emmanuel Dunand/AFP

Pódio

Quando a medalha de bronze é melhor do que a de prata

Todos vimos a cara de McKayla Maroney, fechada, depois de ter percebido que tinha ficado com a medalha de prata na prova individual da trave. A ginasta americana estava a ser abraçada pela terceira classificada, uma eufórica russa Maria Paseka, feliz com o bronze. Se não vimos Maroney na altura, depois da queda que lhe tirou a possibilidade de chegar ao topo, vimo-la na Internet, um fenómeno que durou menos de um dia a ser viral. Era o rosto de quem não ficou com o ouro, na posse da romena Sandra Raluca Izbasa.


No dia em que os Jogos de Londres terminaram, seria altura de os atletas poderem relaxar sobre as glórias alcançadas. Menos os segundos classificados como Maroney, Yohan Blake ou Emily Seebohm – que não terão descanso por terem ficado com a prata. Todos sofrerão como o pugilista que termina em segundo, personificando aquele que é capaz de bater na população inteira do globo excepto num homem. Por causa disso, falhou, e enquanto não chegar a primeiro não descansará. Isto foi escrito pelo psicólogo William James, em 1892, no livro "Os Princípios da Psicologia".

Porque é que o terceiro lugar é melhor que o segundo? Uma pesquisa realizada por três académicos da Universidade de Cornell, dos Estados Unidos, e que analisa os medalhados olímpicos desde Barcelona 92 conclui que, em geral, os atletas que levam a medalha de prata não ficam tão satisfeitos quanto aqueles que conquistam o bronze. Segundo eles, quem fica em terceiro lugar fica mais feliz do que quem perdeu o ouro para um adversário.

A explicação, de acordo com Thomas Gilovich, um dos autores do estudo, tem a ver com o facto de o ser humano ter a tendência de olhar para frente e, quando vê que não está em primeiro lugar, acaba frustrado. "Eu tenho a prata, mas o ouro não está comigo", sintetiza Gilovich. A situação de quem fica com o bronze é um pouco diferente. O atleta sente que poderia ter feito melhor, mas fica feliz por, apesar do seu desempenho, estar no pódio, entre os três melhores. A foto de Thomas Coex que ilustra este texto é elucidativa: três ginastas em que a mais triste é a chinesa Sui Lu, que ficou com a prata (à esquerda), enquanto a sua compatriota Deng Linlin, com o ouro, e a norte-americana Alexandra Raisman, última do pódio, surgem bem mais felizes.

Para o professor de Psicologia da Universidade da Pensilvânia, Madey Scott, a sensação é semelhante à de um passageiro que perde um voo por um atraso de cinco minutos. "Sente-se incapaz por não conseguir 'criar' cinco minutos para reverter a situação."