<p>Zita Seabra comparou a actuação do Governo à da Mocidade Portuguesa</p>

Zita Seabra comparou a actuação do Governo à da Mocidade Portuguesa

Daniel Rocha/PÚBLICO (arquivo)
Apresentação do Plano Tecnológico da Educação

PSD: contratação de crianças a empresa de "casting" é "absolutamente escandalosa"

A deputada do PSD Zita Seabra pediu hoje a abertura de um inquérito ao caso dos alunos contratados a uma empresa de "casting" para participarem na apresentação dos quadros interactivos, no âmbito do Plano Tecnológico da Educação, que considera "absolutamente escandalosa".


"No antigo regime, as crianças eram arrebanhadas pela Mocidade Portuguesa para fazer cenário político, só que não eram pagas", criticou a vice-presidente da bancada social-democrata Zita Seabra, em conferência de imprensa no Parlamento.

Ontem, numa sala improvisada do Centro Cultural de Belém, um grupo de alunos demonstrou como funcionam os quadros interactivos que o Governo quer instalar nas escolas. As crianças em causa foram recrutadas por uma agência de "casting", a NBP, um trabalho que rendeu 30 euros a cada uma delas, segundo disseram à RTP.

"Do ponto de vista ético, é bater no fundo (...) estamos no grau zero da política. O primeiro-ministro tem de explicar como é possível levar tão longe a propaganda governamental", criticou Zita Seabra.

Questionada sobre o assunto, a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, considerou que este assunto é "um pormenor muito pouco relevante" e avançou apenas que "a empresa propôs fazer a apresentação aqui no local para que pudéssemos todos perceber como funcionam [os quadros interactivos]".

O primeiro-ministro, José Sócrates, também desdramatizou o caso e considerou normal o método utilizado pela empresa.

Quem não ficou convencida com estas explicações foi Zita Seabra. Segundo a rádio TSF, a social-democrata considera que esta situação é "absolutamente escandalosa". Por isso, o PSD vai "exigir que o Governo verifique e faça imediatamente um inquérito para saber quem contratou crianças, porque isto é exploração infantil e é proibido por lei".

Citado pela TSF, o porta-voz do PS, Vitalino Canas, disse que a agência de "casting" "terá respeitado a lei". No entanto, acrescentou, se for encontrada alguma irregularidade, "esta deve ser investigada".

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