Foto: Marcelo del Pozo/Reuters

Os encantos e as polémicas do voleibol de praia feminino

Já toda a gente percebeu que o voleibol de praia feminino consegue captar a atenção generalizada dos homens. O interesse é óbvio: trata-se de atletas de alta competição a jogar em biquíni. Não há como não gostar. Mas será que as imagens captadas durante estes Jogos Olímpicos são mais sexistas (ou sexys) do que o normal para este desporto?


A polémica rebentou em duas frentes: por um lado o mayor de Londres, numa lista de 20 razões para nos sentirmos todos alegres por assistir aos Jogos Olímpicos, publicada no The Telegraph, elencava, em 19.º lugar, as jogadoras de voleibol de praia. “Enquanto escrevo estas linhas há mulheres seminuas a jogar voleibol de praia (...) Elas reluzem como lontras molhadas (...) Todo o conjunto é magnífico e louco”.

Estas palavras tiveram o sortilégio de desatar a língua às cronistas feministas, incluindo Sarah Goodyear, que deu a entender no site TheAtlanticCities.com - do grupo da revista americana “The Atlantic” - que o mayor de Londres, Boris Johnson, teria ido longe de mais.

“Estou a tentar imaginar um mundo diferente. Um em que uma presidente de câmara de uma cidade olímpica, escrevendo numa publicação séria, celebrasse a presença de homens ‘seminus’ em eventos desportivos - mergulho sincronizado, talvez? - e comparasse os seus corpos, com uma piscadela de olho lasciva, a corpos de animais”, escreveu a cronista.

Foi precisamente partindo desta premissa que a polémica rebentou numa segunda frente. O jornal Metro, na sua versão norte-americana, publicou online um artigo em que explicava que a equipa editorial tinha andado à procura de fotografias de voleibol de praia feminino nas agências internacionais e que, demasiadas vezes, tinha dado de caras com imagens que mostravam, basicamente, apenas os rabos das atletas. Legendas como “uma jogadora não identificada de voleibol feminino durante sessões de treino” são comuns em fotografias que se centram em apenas algumas partes do corpo das atletas, ao invés de identificarem a jogadora no seu conjunto.

A partir daqui, o Metro resolveu fazer um exercício invertido, tendo publicado no mesmo artigo uma série de imagens em que se focava apenas a zona dos quadris e peitorais dos homens praticando desportos como a natação, a ginástica, o basquetebol e a luta greco-romana. Nestas imagens saltam à vista as coxas musculadas dos ginastas e os peitorais luzidios dos nadadores.

A pergunta do jornal é, afinal, muito pertinente: “E se todos os desportos dos Jogos Olímpicos fossem fotografados desta forma?”.

Para Sarah Goodyear a polémica é básica: os desportos olímpicos não fazem mais do que reproduzir aquilo que se passa na vida quotidiana das mulheres, constantemente sujeitas à crítica e à apreciação pública por aquilo que vestem ou deixam de vestir. A coisa só se resolve quando for evidente que as mulheres têm tanto direito como os homens ao seu “espaço pessoal” na esfera pública, escreve a cronista.

Para as atletas, porém, a polémica é estéril. Para a jogadora de voleibol alemã Laura Ludwig, por exemplo, apesar de este assunto ser comentado por toda a gente, para as jogadoras o biquíni é apenas uma “roupa de trabalho”. “Tomamos tudo isto como uma coisa positiva que traz gente aos estádios. Não é verdadeiramente um problema para nós”, afirmou, citada pelo diário francês Le Monde.