Yohan Blake e Usain Bolt
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Há um sentimento de orgulho nacional por este desporto
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Um homem descansa no chão durante os “Champs”, como são conhecidos os Campeonatos de Atletismo em Kingston, capital da Jamaica, são das provas mais antigas do mundo, com uma história de mais de 100 anos.
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Atletismo

O segredo dos jamaicanos? Está no gene ACTN3

Os sprinters jamaicanos têm dominado as competições internacionais desde a era dos americanos Carl Lewis e Maurice Green.


É um domínio que dá uma aura mística à Jamaica, sprinters atrás de sprinters, homens ou mulheres, saem desta espécie de Avalon para conquistar as pistas rápidas do planeta.

Como pode uma ilha tão pequena, do mesmo tamanho do Qatar, Gâmbia ou Líbano e com a mesma população da Mongólia, Arménia e Kuwait vencer tantas medalhas (conquistou 11 em Pequim 2008, 6 de ouro e 3 de prata)?

E por que é que as nações parecidas com a Jamaica não conseguem os mesmos resultados? A resposta está no gene ACTN3. O biólogo evolucionista Stephen Jay Gould já nos tinha dado uma pista quando disse que o melhor a fazer para sermos campeões olímpicos é “escolher bem os pais”. E não vale a pena ir a Kingston fazer-se à estrada de terra e mato que liga a Sherwood Content, terra natal de Usain Bolt. É tão inútil como a demanda do Graal.

Sherwood Content é um canto sagrado da terra (uma espécie de Quénia com o seu segredo nos campos monásticos das montanhas). É uma pequena vila jamaicana feita de casas de madeira e dominada pela Puma, patrocinador oficial do duplo campeão olímpico dos 100m (venceu o ouro nos 100m, 200m e 4x100m em Pequim). Não é ali que ficamos a saber o segredo de Bolt e dos sprinters jamaicanos. Ali, vendem-se mitos, como as sopas mágicas de tartaruga, de pénis.

O segredo dos jamaicanos? Está no gene ACTN3 e sopa feita de órgãos de gado. Mas sabemos que o factor cultural é forte influência na criação de campeões. Os campeonatos anuais do liceu são o maior evento nacional. Há uma longa lista de famosos saídos destes “Champs”, que já deram 56 medalhas olímpicas.

Há um sentimento de orgulho nacional por este desporto. E há o factor genético. Aqui temos de ir até África Ocidental e aos genes, nutrição e sociologia — e aos escravos que foram levados para a ilha. Ora, 70% dos jamaicanos têm a forma mais forte do gene ACTN3, que produz uma proteína nas fibras dos músculos que os torna mais fortes nas corridas de sprint. Esta é uma percentagem bastante elevada em relação ao resto do mundo (20% da população caucasiana produz a proteína que permite a existência do ACTN3).

Na evolução do homem, alguns humanos herdaram este “gene da velocidade”, mais predispostos a ser velocistas e potentes. E outros herdaram uma maior resistência à fadiga. O ACTN3, é uma proteína necessária ao músculo para que este se contraia de um modo explosivo. Este músculo reage como um velocista quando ouve o tiro da partida.

Aproximadamente, há mil milhões na terra que não têm este gene, o que os impede de fabricar alfa-actinina-3 nos seus músculos e, por isso, nunca poderão correr os 100 metros abaixo dos 10 segundos. Na Jamaica isso acontece menos. Por isso, tantos e tão bons sprinters tem criado, como Asafa Powell, Veronica Campbell, Sandie Richards, Michelle Freeman, Shelly Ann, Sheri Brooks, Ottey, Bolt, Blake. Uma quantidade impressionante para um país com 2,6 milhões de habitantes.


Notícia corrigida: 20% da população caucasiana produz a proteína que permite a existência do ACTN3

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