João Monteiro e Tiago Apolónia em acção nos Jogos de Londres
Foto: Darren Staples/Reuters

Marcos Freitas
Foto: Darren Staples/Reuters

Ténis de mesa

O país descobriu finalmente os "três mosqueteiros" do ténis de mesa. E eles querem mais

Há seis anos, três jovens portugueses emigraram para a Alemanha. Deixaram o conforto da família, puseram os estudos de lado e resolveram ser profissionais de ténis de mesa, algo impossível em Portugal.


João Pedro Monteiro (nascido na Guarda, 1983), Tiago Apolónia (Lisboa, 1986) e Marcos Freitas (Funchal, 1988) passaram os últimos anos a fazer história. Conquistaram, por exemplo, o bronze na prova por equipas nos Europeus de 2011, em que Marcos Freitas foi campeão de pares. Mas, aparentemente, o país só os descobriu no domingo, quando estiveram quase a qualificar-se para as meias-finais do torneio olímpico.

O jogo contra a Coreia do Sul (derrota por 3-2) teve uma audiência histórica na RTP2. Segundo os dados de audimetria a que o PÚBLICO teve acesso, o pico aconteceu entre as 16h15 e 16h30, com um share de 16,4%, um valor raríssimo no segundo canal - à mesma hora, a TVI somava 21,1% e o a SIC 20,6%. Nesse domingo, a RTP2 terminou o dia com uma audiência média de 9,3%, muito próxima do valor da RTP1 (10,8%).

"Acordámos um pouco as pessoas para a realidade do ténis de mesa português e para a qualidade dos três mosqueteiros", diz João Monteiro, o mais velho (28 anos) do trio que esteve a representar Portugal nos Jogos Olímpicos.

Na conversa telefónica com o PÚBLICO, a partir de Londres, o atleta deixou escapar a sua desilusão pelo resultado. "Ficou mais a tristeza do que a alegria", confessou João, apesar de o quinto lugar ser o melhor resultado de sempre de Portugal em Jogos Olímpicos. "O nosso lugar era disputar a meia-final", reforça o atleta, para quem era bem possível derrotar Hong Kong e chegar à final com a China.

Perceber que cerca de 360 mil portugueses passaram a tarde de um domingo de Agosto em frente à televisão a ver um jogo de ténis de mesa foi algo desconcertante, até mesmo para os responsáveis da modalidade. "Detectei uma onda de entusiasmo que nunca pensei presenciar na minha vida", diz Pedro Miguel Moura, que há uma semana tomou posse como presidente da Federação Portuguesa de Ténis de Mesa (FPTM).

"Este trio, no domingo, fez mais naquelas três horas do que alguém antes alguma vez tinha feito", acrescenta Carlos Ferreira, até há pouco vice-presidente da FPTM, destacando que este momento pode ser usado para "alavancar" a modalidade, que tem pouco mais de 3000 atletas federados.

Apesar da euforia criada por este desempenho, o presidente da federação avisa que o resultado olímpico "não corresponde à realidade do ténis de mesa em Portugal, nem aos investimentos do Estado": "A nossa vivência diária é ridícula se comparada com o comportamento deles nos Jogos Olímpicos", diz Pedro Moura.

E a verdade é que os "três mosqueteiros" tiveram de sair do país para serem profissionais. João Monteiro (que começou a jogar aos nove anos, após uma férias na Suíça) e Tiago Apolónia (que joga desde os cinco anos) alinham na Alemanha e Marcos Freitas (que começou aos sete anos) joga em França. Têm dos melhores treinadores da Europa, jogam em pavilhões cheios e treinam-se cinco horas por dia.

Graças a este esforço, os três são hoje jogadores de top-40, quando há alguns anos Portugal nem sequer imaginava entrar nos melhores 100. E as expectativas para o futuro são ainda melhores. "Daqui a quatro anos, a nossa equipa estará mais madura", sublinha o presidente da federação. "Agora é continuar a trabalhar, para estarmos presentes no Rio de Janeiro e ombrear novamente com qualquer selecção", diz João Monteiro, esperando que esta visibilidade aumente os apoios para o ténis de mesa.

A próxima etapa de João Monteiro, Tiago Apolónia e Marcos Freitas ao serviço de Portugal está marcada para 4 de Setembro. Defrontam a França no apuramento para o Europeu de 2013, no pavilhão do Casal Vistoso, em Lisboa (20h45). E esperam casa cheia.