Se ganhar uma medalha, vai ver hasteada a bandeira do Comité Olímpico Internacional
Foto: Saeed Khan/AFP

"Foi muito perigoso crescer no meio da guerra"
Foto: Saeed Khan/AFP

Atletismo

O atleta sem bandeira, sem passaporte mas com país

Guor Marial é um homem que sabe de onde é, mas que não tem passaporte. E não tem bandeira nos Jogos Olímpicos de Londres.


Marial nasceu no Sudão do Sul e vai participar na prova masculina da maratona que se realiza amanhã e, se ganhar uma medalha vai ver hasteada a bandeira do Comité Olímpico Internacional, isto porque o seu país não cumpre os critérios para fazer parte do COI.

A viver nos EUA desde 2001, Marial, de 28 anos, viveu os primeiros anos da sua vida num campo de refugiados, obrigado a fugir por causa da guerra no Sudão. "Foi muito perigoso crescer no meio da guerra. É tudo uma questão de sobrevivência do mais forte", afirmou ontem o atleta em conferência de imprensa promovida pelo COI.

Marial, que recusou representar o Sudão e que se apresenta em Londres com um máximo pessoal de 2h12m55s, confessou ainda que já não vê a sua família desde 1993, mas que ela vai estar atenta à sua prestação na maratona olímpica: "Eles vivem numa aldeia que não tem electricidade, nem telefone. Vão ter de andar a pé até à cidade mais próxima, Panrieg, que fica a 48kms."

Para a sua própria corrida, Marial não faz previsões: "É uma prova sempre imprevisível e muito táctica. Vou para a corrida de espírito aberto."