Gabrielle Douglas na trave
Foto: Thomas Coex/AFP

Gabrielle Douglas no exercício no solo
Foto. Miguel Medina/AFP

Gabrielle Douglas nas barras paralelas
Foto: Ben Stansall/AFP

Ginástica

O “esquilo voador” Gabrielle Douglas entra na história pela porta maior dos Jogos

A quinta ou sexta ginasta na escala hierárquica da equipa norte-americana arrebatou todas as atenções nesta quinta-feira. E o ouro olímpico. Gabrielle Douglas, que havia ganho o primeiro lugar por equipas no domingo, repetiu o feito agora na prova individual.


Com apenas 16 anos, impôs-se às russas Victoria Komova, que ficou com a prata, e Aliya Mustafina, com bronze. A americana Raisman, creditada com a mesma marca de Mustafina, ficou fora do pódio.
O palco foi, por isso, de Douglas, ela que, com 14 anos, pediu à mãe para mudar de casa e ir viver a quase cinco mil quilómetros de distância com uma família adoptiva para poder ser treinada por um treinador de topo (trocou Virginia Beach por Des Moines, Iowa).

Douglas é a primeira ginasta negra a vencer o título individual olímpico. A americana Dominique Dawes, presente no pavilhão, havia sido a primeira afro-americana campeã olímpica de ginástica, mas por equipas em 1996.

A adolescente originária de Virginia sucedeu no palmarés às duas compatriotas Carly Patterson, campeã olímpica em Atenas 2004, e Nastasia Liukin, em Pequim 2008.

Na final, Douglas, que ganhou a alcunha de “esquilo voador”, fez uma prova extraordinária, serena nos seus exercícios, e terminou com um total de 62,232 pontos.

Tão segura de si como quando posou para a fotografia de Martin Schoeller, para a Time. Uma sessão em casa, semanas antes de partir para Londres: a fazer a espargata em pé no frigorífico. “Passa a vida a fazer alongamentos em casa, vive e respira a ginástica”, diz a sua mãe adoptiva.

O ouro ficou bem entregue a Gabby, apesar de os americanos estarem à espera de ser Jordyn Wieber a triunfar. Mas a campeã do concurso individual geral de ginástica artística no Mundial de Tóquio, em 2011, e de quem o treinador Bela Karolyi — que também treinara Nadia Comaneci — tinha dito que era a primeira a comparar-se à ginasta romena, campeã perfeita nos Jogos de Montreal 76, não conseguiu a vaga na final olímpica. Ficou atrás das compatriotas Alexandra Raisman e Gabrielle Douglas na qualificação. Segundo as regras, apenas duas atletas por país podem ir à final, o que provocou a eliminação de Wieber, que ficou com a pior nota entre as três americanas. Raisman, companheira de quarto na Aldeia Olímpica e a “melhor amiga” de Wieber ficou igualmente de rastos. Douglas permaneceu na sombra, antes de se transformar no foco de todas as atenções.

Notícia actualizada às 23h01