A maratona decorreu debaixo de chuva
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Jéssica Augusto: exausta, mas feliz
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Gelana, a vencedora
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À esquerda, Jeptoo (prata) e à direita a favorita Keitany, que foi quarta
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Atletismo

Jéssica Augusto 7.ª na maratona da etíope Gelana

Ainda não foi desta que o Quénia venceu uma maratona olímpica feminina. A vitória coube à etíope Tiki Gelana, que bateu o recorde olímpico numa prova com um excelente desempenho da portuguesa Jéssica Augusto, ao terminar no sétimo lugar.


Gelana terminou a maratona em 2h23m07s, batendo o recorde olímpica, que desde Sydney 2000 pertencia à japonesa Naoko Takahashi (2h23m14s).

Na parte final da maratona londrina, a etíope bateu a queniana Priscah Jeptoo (2h23m12s) e a russa Tatyana Petrova Arkhipova (2h23m29s), que bateu um recorde pessoal.

A grande favorita, a queniana Mary Keitany, ficou-se pelo quarto lugar (2h23m56s).

Jéssica Augusto foi a melhor portuguesa, com um excelente sétimo lugar, um posto acima do que havia feito nas maratonas comerciais de Londres no ano passado e neste ano - este resultado é ainda mais relevante sabendo-se que a atleta só em 2011 se iniciou nesta especialidade.

A atleta nascida em Paris cumpriu o percurso em 2h25m11s, dando a Portugal o quarto diploma olímpico em Londres (classificações até ao oitavo lugar), depois do sétimo posto de João Costa no tiro (pistola a 10m), do quinto lugar de Pedro Fraga e Nuno Mendes no remo (double scull ligeiro) e de a equipa masculina de ténis de mesa ter garantido a presença nos quartos-de-final da prova colectiva, disputando precisamente neste domingo a passagem às meias-finais com a Coreia do Sul.

Jéssica Augusto foi ainda a terceira melhor europeia, apenas atrás da russa Arkhipova (3.ª) e da ucraniana Gamero-Shmyrko (5.ª).

Quanto às outras portuguesas em prova, Marisa Barros foi 13.ª (2h26m13s) e Dulce Félix 21.ª (2h28m12s).

A maratona londrina decorreu debaixo de chuva e a primeira grande mudança aconteceu perto dos 25 km, quando as três quenianas e as três etíopes atacaram e se isolaram.

Algumas atletas, no entanto, conseguiram recolar-se ao sexteto africano, como a russa Tatyana Petrova Arkhipova, que viria a ser terceira. Jéssica Augusto também conseguiu manter-se por perto.

Nos últimos sete quilómetros, formou-se um grupo de quatro na frente (Gelana, Jeptoo, Arkhipova e Keitany), com a única etíope do grupo a ser a mais forte nos metros finais.

Tiki Gelana, de 24 anos, deu à Etiópia a segunda vitória na maratona olímpica, depois do triunfo de Fatuma Roba em Atlanta 1996.

Apesar do actual domínio africano nesta especialidade, este é apenas o segundo triunfo de um país de África na maratona olímpica desde que a prova foi introduzida no calendário dos Jogos Olímpicos, em 1984.

O Quénia, por sua vez, viu prolongar-se a maldição de não conseguir chegar ao ouro no sector feminino (no masculino Samuel Wanjiru quebrou o enguiço em Pequim). Depois de Catherine Ndereba ter sido medalhada de prata em Atenas e Pequim, desta vez foi Priscah Jeptoo a alcançar o segundo lugar.