<p>António Guterres defendeu que deve ser dada "uma oportunidade à paz" na questão do Iraque</p>

António Guterres defendeu que deve ser dada "uma oportunidade à paz" na questão do Iraque

Maurizio Brambatti/EPA
Reunião do conselho termina em Roma

Internacional Socialista contra uma guerra "unilateral e preventiva"

A Internacional Socialista adoptou hoje por unanimidade uma resolução na qual se opõe a "toda a acção militar de carácter unilateral e a um ataque preventivo" como resposta ao Iraque, na questão da alegada posse de armamento de destruição maciça pelo regime de Saddam Hussein.


Reunidos em Roma, os socialistas manifestaram-se a favor de uma acção que respeite "o direito internacional e que tenha, pelo menos, o consenso explícito do Conselho de Segurança das Nações Unidas".

De acordo com o documento final saído do encontro da família socialista, no qual o Iraque e o Médio Oriente foram os temas centrais de debate dos 130 partidos presentes, a comunidade internacional não poderá ser "refém de um único Estado".

Durante o encontro, que hoje termina na capital italiana, foi dado destaque à União Patriótica do Curdistão (UPK), que controla parte da zona autónoma curda do Iraque e que apela a uma intervenção exterior para destronar o regime do Presidente iraquiano, Saddam Hussein.

"Espero uma solução pacífica, mas sou realista e essa ditadura não será destituída a não ser pela ameaça do uso da força", sustentou o dirigente do UPK, Bahram Salih, que regressou de uma ronda de trabalhos em Washington.

Já ontem, o presidente da Internacional Socialista, António Guterres, defendeu que deve ser dada "uma oportunidade à paz" na questão do Iraque, concluindo na resolução final do encontro que "os inspectores devem dispor de todo o tempo necessário e ter um papel permanente" na questão do armamento iraquiano.

Na abertura do conselho socialista, o antigo primeiro-ministro português considerou, no entanto, que não se deve excluir o emprego da força das armas, mas só se os objectivos das Nações Unidas não forem cumpridos.

Guterres deixou ainda um apelo a todos os membros da organização para "a necessidade de apoiarem a democratização do Iraque", prestando desde já "ajuda aos democratas iraquianos".

A crise no Médio Oriente foi igualmente referida na intervenção do líder socialista, que defendeu uma maior dinamização das iniciativas do "quarteto de paz" - Estados Unidos, Rússia, Nações Unidas e União Europeia - "na base do reconhecimento mútuo entre Israel e um futuro Estado palestiniano".

Por sua vez, Piero Fassino, secretário-geral do Partido dos Democratas de Esquerda italiano, anfitrião do encontro da família socialista, disse que o principal objectivo deve ser "evitar uma guerra que terá consequências catastróficas".

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