<p>Dias Loureiro deu uma entrevista televisiva ontem à noite</p>

Dias Loureiro deu uma entrevista televisiva ontem à noite

Carlos Lopes (arquivo)
António Marta diz que faz confusão ou mente

Ex-vice governador do Banco de Portugal desmente Dias Loureiro

O ex-vice governador do Banco de Portugal António Marta nega que Manuel Dias Loureiro, actual conselheiro de Estado e ex-administrador da empresa que controlava o BPN, lhe tenha pedido para a supervisão bancária dar atenção a este banco recém-nacionalizado para não falir.


“Se o dr. Dias Loureiro anda a dizer isso [que informou o Banco de Portugal de problemas de gestão do BPN] ou está a fazer confusão com a pessoa, ou a mentir”, afirmou António Marta, em notícia publicada hoje pelo jornal “Expresso”.

O ex-vice governador do BdP diz ainda que Dias Loureiro, ex-ministro quando Cavaco Silva era chefe do Governo, saiu do banco central a dizer que as pessoas à frente do BPN “eram boa gente”, acrescentando que “se fosse uma coisa como ele diz” que a “teria transmitido” a Vítor Constâncio.

Segundo o relato de António Marta, Dias Loureiro até lhe terá perguntado porque é que a supervisão bancária não largava o BPN, conta a TSF.

Ontem à noite, numa entrevista na RTP1, Dias Loureiro disse que em Abril de 2002 teve uma reunião com António Marta, então vice-presidente do Banco de Portugal com o pelouro da supervisão bancária, onde alertou para a necessidade de o banco central dar atenção especial ao BPN.

“Disse-lhe o seguinte: não tenho conhecimento de nada nem qualquer desconfiança em relação à Sociedade Lusa de Negócios (SLN), mas a SLN tem um banco, tem accionistas e estou preocupado com isso. O que lhe queria pedir era que tivesse uma atenção especial ao BPN”, afirmou. “Não tinha nenhum facto concreto, apenas o que se ouvia cá de fora”, continuou, esclarecendo que não tinha qualquer controlo sobre a gestão do BPN.

Dias Loureiro foi nomeado para o Conselho de Estado por escolha pessoal de Cavaco Silva. Na entrevista de ontem à noite, disse que o seu lugar está sempre à disposição do Presidente da República, garantiu estar de “consciência tranquila” em relação às funções que exerceu como administrador do Grupo Sociedade Lusa de Negócios e mostrou-se disponível para colaborar com as autoridades no que for necessário.

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