<p>A Rússia ficou fora do "top 3" pela primeira vez, mas ainda assim conquistou 82 medalhas</p>

A Rússia ficou fora do "top 3" pela primeira vez, mas ainda assim conquistou 82 medalhas

Foto: Martin Bureau/AFP
Medalheiro

EUA dominaram tabela de medalhas mas Europa é o grande continente desportivo

A piscina do Centro Aquático de Londres foi o epicentro do domínio dos EUA nos Jogos Olímpicos de 2012. Com um total de 31 medalhas, 16 das quais de ouro, os nadadores norte-americanos contribuíram de forma decisiva para o triunfo do seu país no medalheiro final. O atletismo, com 29 medalhas (nove de ouro) e a ginástica artística, com seis (três de ouro), foram as outras grandes modalidades da maior potência olímpica em 2012.


A China somou 88 medalhas, contra as 104 dos norte-americanos, e teve nos saltos para a água (dez medalhas, seis de ouro), natação (dez medalhas, cinco de ouro) e badminton (oito medalhas, cinco de ouro) as suas modalidades mais fortes. Apesar de terem conquistado medalhas em 20 desportos e celebrado campeões olímpicos em 13, os chineses viram os atletas dos EUA subirem ao degrau mais alto do pódio em 15 modalidades, das 21 em que se classificaram entre os três primeiros.

Mas nem estes dois gigantes poderiam fazer face a uma selecção da União Europeia - liderados pelos britânicos, terceiros do ranking geral, com 65 medalhas, campeões olímpicos em 13 modalidades e laureados em 19, os europeus alcançariam um total de 395 medalhas, 92 das quais de ouro. É esse o somatório dos 24 países da UE que conseguiram inscrever o seu nome no medalheiro (Áustria, Luxemburgo e Malta ficaram a zero), mas este total terá de ser relativizado: uma hipotética equipa europeia apresentaria menos atletas por modalidade.

Ainda assim, a Europa é o grande continente do desporto olímpico. Juntando às 24 da UE que chegaram ao pódio, as outras nações europeias que conquistaram medalhas olímpicas (com a Ucrânia - 20 medalhas, seis de ouro - à cabeça), o total do continente chega a 463, das quais 111 são de ouro. Nenhum outro bloco geográfico se aproxima sequer deste valor.

Há nações com especial predilecção pelo ouro, em detrimento dos restantes metais. O Cazaquistão, por exemplo: mais de metade das suas medalhas (sete em 13) brilharam em tons de dourado. A Coreia do Sul (28 medalhas, 13 de ouro) e a Hungria (17/8) quase repetiram esta relação.

No extremo oposto, e centrando a atenção entre os primeiros do medalheiro, destacam-se a Alemanha (apenas 11 medalhas de ouro entre as 44 conquistadas), o Japão (sete em 38) e a Austrália (sete em 35). Mas há outros casos de estranho amor aos degraus mais baixos do pódio olímpico: a Espanha somou três medalhas de ouro, dez de prata e quatro de bronze (total: 17); o Brasil 3+5+9 (17); o Canadá 1+5+12 (18).

A delegação mais equilibrada poderia ter sido a da França, que chegou ao sétimo lugar da geral com 11 medalhas de ouro, outras tantas de prata e 12 de bronze. Mas não há forma de bater a tabela "perfeita" da Jamaica: quatro medalhas de ouro, quatro de prata, quatro de bronze. Todas no atletismo.

Para se chegar ao top-10 de um medalheiro olímpico é preciso mais do que capitalizar a supremacia em duas ou três modalidades, mas há países que se aproximam do topo graças a essa especialização. Para além da Jamaica, há outros exemplos bem-sucedidos desta estratégia. Mais de metade das 17 medalhas da Hungria (um país com uma população similar à de Portugal) vieram da canoagem (seis, três de ouro) e da natação (três, duas de ouro). O mesmo sucede com o Cazaquistão: 13 medalhas, das quais quatro no halterofilismo (todas de ouro) e outras quatro no boxe (uma de ouro). O Irão só subiu ao pódio em quatro modalidades, mas brilhou graças aos seus lutadores (seis medalhas, três títulos) e halterofilistas (quatro/um). E a Coreia do Norte teve no halterofilismo a sua mina: quatro das suas seis medalhas e três dos quatro títulos olímpicos.