<p>O ex-administrador de empresas do grupo BPN não acredita que o ex-colega tenha agido em benefício próprio</p>

O ex-administrador de empresas do grupo BPN não acredita que o ex-colega tenha agido em benefício próprio

Luís Ramos (arquivo)
Entrevista à RTP

Dias Loureiro: “Confiei que Oliveira e Costa estava a fazer bem”

Dias Loureiro afirma que não participou nem teve conhecimento de irregularidades no Banco Português de Negócios (BPN), confiando sempre nas boas intenções e na boa gestão de José Oliveira e Costa. O ex-administrador de empresas do grupo BPN afirma mesmo: “não acredito que ele tenha feito isso para benefício pessoal”. “Isso” são as irregularidades e os crimes de que Oliveira e Costa, ex-presidente do BPN, está indiciado e que ontem lhe valeram a prisão preventiva depois de ser ouvido pelo juiz.


Em entrevista à RTP, hoje à noite, o ex-ministro da Administração Interna e actual conselheiro de Estado nomeado por Cavaco Silva defendeu que acreditava nos mecanismos de controlo do grupo para confiar na forma como eram geridas as sociedades. “Havia auditorias, havia a supervisão do Banco de Portugal, havia pessoas em quem confiava”. Ainda assim, diz ter questionado directamente Oliveira e Costa quando, em 2001, a revista Exame publicou um trabalho onde levantava algumas suspeitas sobre a forma como o grupo BPN era gerido.

O presidente terá respondido que eram notícias infundadas, originadas por invejas. No ano seguinte, em Abril, manteve uma reunião com António Marta, então vice-presidente do Banco de Portugal com o pelouro da supervisão bancária, onde alertou para a necessidade de ter especial atenção para com o BPN. “Disse-lhe o seguinte: não tenho conhecimento de nada nem qualquer desconfiança em relação à Sociedade Lusa de Negócios (SLN) mas a SLN tem um banco, tem accionistas e estou preocupado com isso. O que lhe queria pedir era que tivesse uma atenção especial ao BPN”, afirmou. “Não tinha nenhum facto concreto, apenas o que se ouvia cá de fora”, continuou, esclarecendo que não tinha qualquer controlo sobre a gestão do BPN.

Por existirem todos os mecanismos de controlo, assinava as contas do grupo das empresas onde exercia cargos executivos. Isso aconteceu mesmo em relação ao ano de 2003, quando era suposto que as contas reflectissem os prejuízos com o encerramento de duas empresas em Porto Rico, negócio em que Dias Loureiro se envolveu. Questionou Oliveira e Costa e “ele mostrou-me 10 itens onde esse prejuízo estava reflectido”.

“Que eu saiba não houve ‘luvas’ ou comissões”, afirmou Dias Loureiro, que revelou também que o BPN era gerido sem reuniões do Conselho de Administração. “Oliveira e Costa tinha um método de gestão que era reunir com cada um em separado”, revelou.

Sobre a sua permanência no Conselho de Estado, disse que o seu lugar está sempre à disposição do Presidente da República. Garante estar de “consciência tranquila”, em relação às funções que exerceu como administrador do Grupo Sociedade Lusa de Negócios (antiga proprietária do BPN), Dias Loureiro mostrou-se disponível para colaborar com as autoridades no que for necessário.

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