Foto: Adek Berry/AFP
Cerimónia do pódio

Alguns hinos nem sequer são originais

Nova letra para músicas existentes; fraca inspiração; versos ofensivos; versões longas de mais. Há de tudo nos hinos nacionais.


Alex Marshall é um jornalista britânico que dedica especial atenção aos hinos nacionais e está a escrever um livro sobre os seus compositores. Com o aproximar dos Jogos Olímpicos, os seus conhecimentos vêm mesmo a calhar quando se fala destes pequenos trechos musicais que pretendem insuflar a alma de um povo.

Num artigo recente publicado no diário britânico The Guardian, Marshall já assumira a sua desilusão após a recolha e audição dos hinos das nações presentes nos Jogos. Desta tarefa hercúlea e, aparentemente, masoquista, ele extraiu um top 10. Não foi muito difícil, diz ele: na sua maioria, são repetitivos, chatos. E alguns são enormes.

Os que mais lhe agradaram foram os hinos do Uruguai, Bangladesh, Tajiquistão, Mauritânia, República Dominicana, Ilhas Virgens Britânicas, Senegal, Nigéria, Nepal e Japão. Más notícias para os melómano-desportivos: destes países, só três (Japão, Nigéria e Tajiquistão) subiram ao pódio em Pequim 2008 e só mesmo os japoneses conquistaram o ouro e o direito de ouvir o hino.

Alex resolveu ainda partilhar, num artigo para a BBC online (http:/www.bbc.co.uk/news/magazine-19063605) alguns segredos dos temas nacionais - e o primeiro é que não são, forçosamente, originais. O Liechtenstein, por exemplo, usa a música do hino britânico com uma letra diferente. Há três países que usam o God Save the Queen, mas A Marselhesa, de França, é utilizada em sete versões diferentes.

Alguns compositores de hinos, tão ilustres como Mozart (Áustria) ou Haydn (Alemanha), entraram para história. Mas é a alma de um povo que procuramos no seu hino. E, por isso, não surpreende que alguns dos temas nacionais da América do Sul sejam emocionais e até, digamos, um pouco desbragados. No hino da Argentina, por exemplo, os espanhóis eram tratados como "tiranos sanguinários" e "vis invasores". Em 1900, estes versos deixaram de ser cantados.

Também não teriam hipóteses nos Jogos Olímpicos, onde as versões tocadas nas cerimónias protocolares são meramente instrumentais. E limitadas a 1m20s.