<p>Ana Rente e Diogo Ganchinho repetem em Londres a presença de Pequim, há quatro anos</p>

Ana Rente e Diogo Ganchinho repetem em Londres a presença de Pequim, há quatro anos

Foto: Daniel Rocha
Ginástica

A sonhar com os lugares das finais

À terceira vai ser de vez para Manuel Campos, que se estreia em Jogos Olímpicos aos 31 anos. Londres vai ser o palco da primeira participação olímpica deste ginasta portuense, que não marcou presença em Atenas 2004 por lesão, e em Pequim 2008 devido a um "mau dia na competição decisiva" de qualificação. Com 24 anos dedicados à ginástica artística, Campos parte para a capital britânica com um sonho: "Alcançar a final all-around, que é de onde sai o campeão olímpico do conjunto dos seis aparelhos."


A presença em Londres é o culminar de uma aposta pessoal feita por Manuel Campos numa ida aos Jogos Olímpicos. Incluindo uma licença sem vencimento para se dedicar em exclusivo à modalidade. "Quando entro nas competições é sempre para dar o máximo. Em Londres, não vou estar com medo de nada", disse à agência Lusa.

Alcançar as finais nas respectivas competições é a principal meta dos ginastas portugueses em Londres - para além de Manuel Campos, estará em prova, também na ginástica artística, a igualmente estreante Zoi Lima. Nos trampolins, Ana Rente e Diogo Ganchinho (ambos repetem a presença de Pequim 2008) são os representantes nacionais e vão tentar também passar as rondas preliminares e chegar à final. Para lutar, quem sabe, por uma medalha.

"Nos trampolins, se calhar, não me espantava com uma medalha, embora saibamos que há lá ginastas, nomeadamente os chineses, que estão acima da concorrência", admitiu o director técnico nacional da Federação de Ginástica de Portugal, José Carlos Manaças, à agência Lusa. É com essa realidade bem presente que os ginastas portugueses partem para Londres. Mas também com ambição: "Não quero ir a Londres fazer igual ou pior do que em Pequim. Sou um ginasta mais completo, porque consegui evoluir nestes quatro anos. O objectivo é entrar na final", dizia Diogo Ganchinho ao PÚBLICO, após garantir o lugar nos Jogos deste ano. Na capital chinesa, o ginasta português ficou em 11.º.

Maior maturidade

Fazer melhor que em Pequim é também o objectivo de Ana Rente. Aos 24 anos, a trampolinista admite que está mais madura para enfrentar este desafio. "Em 2008, estava muito verde. Nunca tinha estado num pavilhão tão cheio, acho que me perdi um bocadinho por estar tão fascinada com aquele mundo. Sinto que agora estou mais bem preparada, treinei mais", confessou.

No entanto, por mais que treinem, os ginastas portugueses terão que concorrer com adversários com um nível de preparação muito diferente. Os países mais fortes dão condições aos seus ginastas para que se treinem a tempo inteiro, enquanto os portugueses conciliam os estudos ou o trabalho com os treinos. E, muitas vezes, até treinam em trampolins que não são iguais aos que vão encontrar na competição. Foi o caso até há poucos meses, admitiu Manaças, explicando que foram colocadas "nos trampolins dos locais onde [os atletas] treinam habitualmente lonas e molas iguais às que vão ser utilizadas em Londres."

Zoi Lima tem do seu lado a vantagem de já conhecer a North Greenwich Arena: foi lá que conseguiu o apuramento para estes Jogos. "A Zoi passou por um momento difícil no apuramento, antes teve uma lesão grave e fez várias operações. Felizmente superou isso e apurou-se", congratulou-se José Carlos Manaças, admitindo esperar da ginasta de 20 anos "o melhor resultado de sempre, em termos relativos, ao nível da ginástica artística feminina". Para o conseguir, Zoi Lima terá que fazer melhor que Esbela da Fonseca, que foi 68.ª entre 85 participantes nos Jogos de Tóquio, em 1964.

"Espero fazer o meu melhor, sem falhas e sem pequenos erros", prometeu a ginasta nascida em Toronto, no Canadá, apontando como objectivo "ficar a meio da tabela".