<p>Fernando Pimenta e Emanuel Silva conquistaram um feito inédito para a canoagem portuguesa</p>

Fernando Pimenta e Emanuel Silva conquistaram um feito inédito para a canoagem portuguesa

Foto: Francisco Leong/AFP
Balanço

A afirmação da canoagem entre várias desilusões

A medalha de prata conquistada por Fernando Pimenta e Emanuel Silva foi o ponto alto da participação portuguesa nos Jogos Olímpicos de Londres 2012 e da afirmação da canoagem como modalidade de referência, entre várias desilusões e escassez de medalhas.


Em contraste com a dupla minhota, a razia entre os judocas portugueses constituiu o lado mais negativo, sobretudo pelas expectativas que recaíam em Telma Monteiro, uma evidente candidata às medalhas que, como os outros, não passou do primeiro combate, adiando mais uma vez a conquista do pódio que lhe falta num currículo com quatro títulos europeus e três medalhas de prata em Mundiais.

Nos Jogos que hoje terminam, a missão de Portugal totalizou 28 pontos, tal como em Pequim2008, resultantes das 10 posições de finalista alcançadas: uma medalha (7), que lhe valeu um modesto 69.º lugar no “medalheiro”, dois quintos lugares (8), dois sextos (6), dois sétimos (4) e três oitavos (3).

Seis dessas posições foram conseguidas por apenas duas das 13 modalidades que Portugal levou a Londres, a vela (duas) e a canoagem (quatro), que obteve os seus melhores resultados de sempre e evitou que a delegação lusa deixasse os Jogos sem uma medalha, algo que não acontece desde 1992.

Era precisamente desses Jogos, disputados em Barcelona, que datava o melhor desempenho da canoagem, o sexto lugar de José Garcia em K1 1.000, igualado por dois barcos e largamente batido pelo K2 1.000 de Fernando Pimenta e Emanuel Silva, que conquistaram a 23.ª medalha olímpica de Portugal, ficando a 53 milésimos do título olímpico.

“Sabia que num dia normal iam às medalhas e num dia bom iam lutar pelo ouro. Foi isso que aconteceu”, disse Mário Santos, presidente da federação de canoagem e chefe da missão portuguesa, após a proeza da dupla minhota no complexo de Eton Dorney, em Windsor, palco das competições de canoagem.

Com os sextos lugares em K4 500 (Teresa Portela/ Beatriz Gomes/Joana Vasconcelos/Helena Rodrigues) e K2 500 (Beatriz Gomes/Joana Vasconcelos) e o oitavo em K1 200 (Teresa Portela), a canoagem foi claramente a mais bem-sucedida modalidade da comitiva lusa.

“Em fim de ciclo, penso que conseguimos nos últimos oito anos marcar uma posição e elevar a fasquia: sermos uma referência no desporto nacional e tornar a canoagem portuguesa uma referência a nível internacional”, destacou Mário Santos, que recusou sempre ver a canoagem como salvadora num conjunto de resultados com diversas decepções e algumas boas surpresas.

A surpresa do ténis de mesa

Oitavos em Pequim2008, Pedro Fraga e Nuno Mendes levaram o double scull peso ligeiro ao quinto lugar, obtendo a melhor classificação do remo português, mas este não foi um resultado tão inesperado como o quinto posto de Portugal na sua estreia no torneio de ténis de mesa por equipas.

Marcos Freitas, João Monteiro e Tiago Apolónia chegaram aos quartos-de-final e venderam cara a derrota perante a Coreia do Sul, segunda do “ranking” mundial, que foi obrigada pelo trio português a disputar os cinco encontros para seguir em frente (3-2).

Enquanto os velejadores Álvaro Marinho e Miguel Nunes somaram em Weymouth o quarto diploma olímpico em 470, que trocavam de bom grado por uma só medalha, ao terminarem em oitavo, tal como Francisco Andrade e Bernardo Freitas no 49er, o atirador João Costa, o mais velho dos atletas portugueses, repetiu aos 47 anos, nos seus quartos Jogos, o sétimo lugar alcançado em pistola de ar comprimido a 10 metros em Sydney2000, revelando a sua consistência.

O outro sétimo lugar veio da maratona feminina e pertenceu a Jéssica Augusto, a melhor representante do atletismo, que apresentou em Londres o maior contingente da delegação portuguesa, com 24 elementos num total de 76, mas teve resultados globalmente medianos, como era esperado.

Enfraquecido pelas ausências de Nelson Évora (ouro no triplo em 2008), Francis Obikwelu (prata nos 100 m em Atenas), Rui Silva (bronze nos 1.500 m em Atenas) e Naide Gomes, o atletismo, fornecedor dos maiores feitos olímpicos portugueses, contentou-se ainda com o nono lugar de Ana Cabecinha nos 20 km marcha - segundo ‘top-10’ seguido - e com o 11.º de Clarisse Cruz nos 3.000 metros obstáculos e João Vieira nos 20 km marcha. O único recorde nacional veio de Vera Barbosa nas eliminatórias dos 400 metros barreiras femininos (55,22) e valeu-lhe a passagem às meias-finais, em que não conseguiu estar ao mesmo nível.

Quatro anos depois da prata de Vanessa Fernandes, o triatlo português esteve bem representado pelo estreante João Silva, campeão europeu de sub-23, que terminou em nono, enquanto Rui Costa comprovou o seu estatuto com o 13.º posto na prova de fundo de ciclismo de estrada. Nas disciplinas equestre, Gonçalo Carvalho surpreendeu com uma inesperada presença na final de dressage (16.º) e Luciana Diniz contava ir mais longe nos obstáculos (17.º).

No badminton, a obtenção da primeira vitória portuguesa em Jogos Olímpicos, através de Telma Santos, foi o facto mais marcante, enquanto o recorde nacional de Pedro Oliveira nas eliminatórias de 200 metros costas (1.58,83) foi o único momento relevante de uma participação tão discreta como a da ginástica.

Do ponto de vista extradesportivo, a passagem portuguesa foi marcada negativamente pelo episódio de Carolina Borges, a velejadora de origem brasileira que comunicou no próprio dia que não competir em RS:X, com explicações que envolvem uma gravidez que a missão desconhecia e queixas de falta de treinador em Weymouth.

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