Opinião

E, já agora, que ganhe a Itália

Teresa de Sousa

O Sérgio Aníbal, que me roubou o tema para esta crónica (ver Eurobond de ontem), escreveu que normalmente não deixa que a política, a economia ou a geostratégia infectem o seu prazer pelo futebol, mas que teve de abrir uma excepção para este Euro 2012. Posso dizer exactamente o contrário: não costumo deixar que o futebol, com o qual mantenho uma relação distante, afecte o meu raciocínio político. Também dei por mim a abrir uma excepção. Nunca fui tão sensível ao bom comportamento da selecção portuguesa. O que só consigo explicar pelo sentimento de profunda perplexidade que todos nós, portugueses, partilhamos perante esta inesperada inflexão do nosso destino europeu.

Dei por mim a comover-me com a forma como os nossos jogadores se batiam em campo, sem desfalecer ao primeiro desaire, sem desistir de lutar até ao último segundo, sem deixar que a pressão de um adversário poderoso os desorientasse. Partiram com os "especialistas" a duvidarem. Regressaram em ombros. Desejei que a Grécia derrotasse a Alemanha. E quem não desejou? Nunca me convenci, apesar da total ignorância sobre o assunto, que a selecção alemã tivesse de estar inexoravelmente na final. Fiquei feliz - posso mesmo dizer aliviada - com a extraordinária vitória italiana. No campo de Varsóvia, como no Conselho Europeu de Bruxelas.

Dei por mim a reflectir sobre tudo isto. Quando a emoção toma assim conta da política europeia, é porque alguma coisa está mal. Talvez a Alemanha tenha aprendido mais com a derrota no Euro 2012 do que com a derrota em Bruxelas. Ficar sozinha, ser detestada é tudo aquilo que certamente não quer. E que também não merece.

Quanto à final de logo à noite, que ganhe o melhor. E que o melhor seja a Itália...