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Espanha-Itália

Um treinador, sete jogadores e um país em vias de fazer história

Espanha e Itália defrontam-se esta noite na final do Euro 2012, em Kiev. Os espanhóis podem tornar-se na primeira selecção a vencer três títulos continentais consecutivos, mas a confiança italiana está no máximo.


A Espanha corre hoje, em Kiev, atrás da história. Nunca nenhuma selecção conquistou três títulos continentais consecutivos e apenas uma vez um treinador o conseguiu fazer em duas ocasiões. Os espanhóis não perdem há 19 jogos oficiais, venceram as últimas nove partidas em fases a eliminar sem sofrer golos e, desde o início do Euro, são apontados como favoritos. No entanto, não havia pior convidado para a anunciada festa espanhola na final: menosprezada há três semanas, a surpreendente Itália transborda confiança e não perde um jogo oficial frente à Roja há quase um século.

Apenas o treinador alemão Helmut Schön venceu um Mundial e um Europeu. Vicente del Bosque pode repetir o feito. Nunca nenhum jogador ganhou três grandes competições de selecções de forma consecutiva. Casillas, Sergio Ramos, Xavi, Iniesta, Xabi Alonso, Fàbregas e Fernando Torres podem consegui-lo. Para a Espanha, dominadora do futebol mundial nos últimos anos, hoje estará muito mais em jogo do que "apenas" uma final. E a responsabilidade da partida, que cairá quase em exclusivo sobre os ombros espanhóis, será um dos grandes obstáculos que a equipa de Del Bosque terá que transpor.

Ao contrário do que aconteceu em 2008 e 2010, quando a Espanha venceu o Europeu e o Mundial, respectivamente, desta vez a Roja não convenceu. Na fase de grupos, apenas contra a frágil Rep. Irlanda a Espanha teve uma noite tranquila e a qualificação para os quartos-de-final esteve presa por um fio até ao minuto 87 do confronto contra a Croácia, quando Jesus Navas marcou.

Ontem, na conferência de imprensa de antevisão da final, as perguntas para Del Bosque, Xavi e Casillas andaram, quase sempre, em torno dos mesmos temas: o futebol da Espanha aborrece? Estão cansados de ganhar? As respostas também foram quase sempre as mesmas. Os três garantiram que "nada mudou", que "a "fome" de conquistar títulos se mantém", que "vão continuar fiéis ao estilo de jogo".

Ao contrário de Cesar Prandelli, que não escondeu o jogo e garantiu que não vai repetir a fórmula de três defesas utilizada na estreia no Euro 2012, contra os espanhóis, Del Bosque fintou a curiosidade dos jornalistas sobre a utilização ou não de Fàbregas como "falso nove". A única garantia deixada pelo treinador é que vai "jogar com três avançados". Nas cinco partidas na prova, o seleccionador já testou Fàbregas, Torres e Negredo. Nenhuma das soluções, no entanto, convenceu e a questão do "9" continua a ser o grande problema da Espanha versão 2012.

Se para os espanhóis parece estar tudo em jogo, a Itália encontra-se no pólo oposto. Três derrotas nos últimos jogos de preparação antes do Euro deixaram a Squadra Azzurra debaixo da crítica feroz da imprensa transalpina, que colocou em causa o trabalho de Prandelli e a qualidade dos jogadores italianos. Mas, após sobreviverem com um empate e uma boa exibição à estreia frente à super-favorita Espanha, a confiança e qualidade de jogo dos azzurri disparou.

Sem vencer um título europeu desde 1968, a Itália mostrou na meia-final contra a Alemanha não ter medo de defrontar um favorito olhos nos olhos e que, apesar de Pirlo continuar a fazer toda a diferença, há mais jogadores que podem desequilibrar. E depois, claro: com Mario Balotelli em campo, tudo é possível.