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João Moutinho

Foto: Fabrice Coffrini/AFP
Meia-final

Portugal preparado para ser mais do que um simples adversário de Espanha

Um dia antes do jogo com a Itália, que ditou o afastamento da Inglaterra do Euro 2012, o médio do Tottenham Scott Parker usou uma imagem que encontrará muitos pontos em comum com o Portugal-Espanha de amanhã: "Se ganharmos a batalha no meio-campo, controlaremos o jogo." É esse o desafio que espera João Moutinho e companhia na Donbass Arena, onde medirão forças dois dos meios-campos mais trabalhadores da competição.


Sim, é verdade que Espanha é campeã absoluta da posse de bola, que sabe fazer circulação como nenhuma outra selecção, que os seus intérpretes parecem omnipresentes no terreno de jogo. Mas significa isso que trabalham e correm mais do que os adversários? Não propriamente. Comparando os três médios de características mais defensivas das duas selecções ibéricas, concluímos que Busquets, Xabi Alonso e Xavi correram apenas mais 400m do que Veloso, Moutinho e Meireles até agora (43,5 contra 43,1km).

É com este trio à frente dos centrais que Portugal deverá iniciar a quarta meia-final da sua história em Campeonatos da Europa. Vicente del Bosque, que deixou ontem elogios à meia distância de Raul Meireles e à precisão de passe de João Moutinho, já assumiu que não espera surpresas no leque de escolhas de Paulo Bento. "Não creio que mudem a forma de jogar, manterão o 4-3-3, embora seja verdade que as outras quatro equipas que nos defrontaram tentaram fechar mais a defesa. Mas eu acredito que Portugal não fará nenhuma alteração", disse o seleccionador espanhol à Radio Onda Cero.

A experiência fracassada da França, que tentou reforçar o corredor direito para travar as incursões de Jordi Alba e Iniesta, ajuda a perceber que mudar de figurino pode não ser o caminho, mesmo quando pela frente surge um adversário com a qualidade do número 6 espanhol. "Os anos passam, nós vamos aprendendo e aceitando mais responsabilidade. Estou num bom momento e espero que perdure", afirma o médio do Barcelona e um dos maiores desequilibradores do Euro 2012.

Para anular uma equipa que joga quase de olhos fechados qual é, então, o antídoto a aplicar? "O que se viu no meio-campo de Espanha é que parece intransponível, mas não é demasiado agressivo", avalia Duarte Araújo, investigador do laboratório de Psicologia do Desporto na Faculdade de Motricidade Humana, mencionando "uma estratégia de zona bem definida, que implica uma coordenação intrasectorial muito grande", como uma das soluções.

O académico reconhece, de resto, que isso já acontece de alguma forma na equipa portuguesa, o que dá mais força à ideia de que fazer grandes modificações pode não ser a aposta acertada. Custódio deu ontem a entender, em todo o caso, que a matriz de jogo será a mesma, que a filosofia será a mesma dos quatro primeiros jogos. "Portugal vai ter a sua estratégia montada, jogar da mesma forma que tem feito", insistiu o médio do Sp. Braga.

Avançados "interessantes"

Uma alteração, pelo menos, Paulo Bento será forçado a fazer, no eixo do ataque. Com Hélder Postiga de fora, Hugo Almeida e Nelson Oliveira são as opções disponíveis, se tivermos em conta que o seleccionador não costuma utilizar Cristiano Ronaldo na posição nove. O capitão português, em entrevista à UEFA, abordou o tema: "Temos dois pontas-de-lança muito interessantes. Qualquer que seja o escolhido, a forma de jogar será idêntica. Quem entrar, vai adaptar-se", vincou.

Do lado contrário, é provável que Del Bosque continue a deixar de fora das opções iniciais um avançado puro, como Fernando Torres ou Fernando Llorente, e opte por Cesc Fàbregas como elemento mais adiantado. "A selecção tem mostrado capacidade de adaptação", considera Duarte Araújo. "Portugal não tem uma lógica de acumular a bola, mas tem um estilo que pode servir de antídoto para o jogo protector da Espanha", destaca.

A seu favor, por exemplo, a selecção nacional tem a "metralhadora" Ronaldo (14 dos 33 remates à baliza feitos por Portugal são da autoria do jogador do Real Madrid) e o municiador de serviço Nani (sozinho, o extremo do Manchester United soma mais de metade do total de cruzamentos de Espanha, 19 para 37). E o facto de defrontar o líder do ranking da FIFA: "Não somos favoritos desde o primeiro jogo, não é agora que vamos ser. Isso ajuda-nos a tirar parte da pressão. Tudo pode acontecer". Palavra de Cristiano Ronaldo. com Marco Vaza