Cristiano Ronaldo é o jogador português com mais minutos nas pernas
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Portugal chega ao Euro 2012 mais "cansado" do que no Mundial 2010
Para 368 jogadores europeus, 23 por cada uma das 16 selecções presentes no Euro 2012, as férias vão ter de esperar. Depois de uma época desportiva desgastante, com mais de 50 jogos para uma boa parte deles, ainda vão ter de esperar algum tempo pelo descanso por causa do próximo Campeonato da Europa de futebol, que se realiza na Polónia e na Ucrânia entre 8 de Junho e 1 de Julho. Ou seja, quem for à final ainda terá de aguentar mais mês e meio antes de poder descansar. E na selecção portuguesa há jogadores que chegam a este torneio com mais de quatro mil minutos de jogo nas pernas.
Cristiano Ronaldo é, de longe, o jogador português que chega mais desgastado ao Europeu. O avançado do Real Madrid foi pouco poupado por José Mourinho, utilizado em 55 dos 58 jogos oficiais disputados pelos merengues nesta temporada, para um total de 4872 minutos. Bem menor tinha sido a utilização de Ronaldo na época que antecedeu o Mundial 2010, realizado na África do Sul. Na altura treinado por Manuel Pellegrini, o português foi utilizado durante 2915 minutos, mas essa foi uma época em que o Real Madrid fez menos jogos na Taça do Rei e na Liga dos Campeões do que em 2011-12.
Ainda acima dos quatro mil minutos estão dois jogadores cuja época no seu clube ainda não terminou. Rui Patrício e João Pereira ainda terão de disputar pelo Sporting a final da Taça de Portugal no próximo domingo, no Jamor, frente à Académica, antes de se juntarem aos trabalhos da selecção. Tanto o guarda-redes como o lateral-direito são mais que prováveis titulares nesse jogo, pelo que irão aumentar os seus já impressionantes números desta época, em que a formação "leonina" teve carreira longa na Taça e na Liga Europa - Patrício jogou 4140 minutos distribuídos por 46 jogos, enquanto Pereira jogou 4168 minutos em 47 partidas.
Claro que nem todos tiveram o mesmo nível de utilização durante a época. Dos 23 convocados, nove estão acima dos três mil minutos, enquanto sete estão abaixo dos dois mil. Se Ronaldo é o mais utilizado, no extremo oposto está o guarda-redes Eduardo, que pouco jogou esta época no Benfica, apenas com 810 minutos em nove jogos. A média de minutos desta selecção portuguesa na temporada é de 2610 por jogador, ligeiramente superior à da selecção que esteve no Mundial 2010 (2558 minutos) - na selecção orientada por Carlos Queiroz, Simão Sabrosa era quem tinha mais minutos nas pernas (4226), enquanto o guarda-redes Daniel Fernandes era quem tinha tido menos.
Mais desgaste nos titulares
Ontem, a selecção portuguesa iniciou os seus trabalhos de preparação no Estádio da Luz (onde irá voltar a treinar hoje, sendo que, depois, os jogadores terão folga até segunda-feira), e o desafio da equipa técnica é o de gerir a fadiga acumulada de 23 jogadores com perfis físicos diferentes, que viveram épocas distintas e estão habituados a treinos e dietas diferentes. "Eles já têm um ano de trabalho em cima e chegam com quilómetros de esforço. Cada caso é um caso. Cada jogador tem um comportamento fisiológico diferente e vem com métodos de treino distintos", diz ao PÚBLICO Joaquim Fonseca Esteves, director do Centro Nacional de Medicina Desportiva.
Até ao primeiro jogo de Portugal no Grupo B, com a Alemanha, a 9 de Junho, Paulo Bento tem pouco mais de três semanas para preparar a equipa, sendo que só na segunda-feira, quando a comitiva estiver em Óbidos, irá ter o grupo completo - ontem faltaram os três jogadores do Real Madrid (Cristiano Ronaldo, Pepe e Fábio Coentrão), os dois do Sporting (Rui Patrício e João Pereira), Raul Meireles (Chelsea), Nani (Manchester United) e Beto (Cluj). Talvez o seleccionador nacional preferisse ter mais tempo, mas, como diz Paulo Rocha, do Centro de Alto Rendimento do Jamor, Bento e a sua equipa terão de se preocupar em "não dar demasiada carga, nem a aliviar demasiado".
"Tem de haver uma renovação biológica, um desacelerar da carga durante uma, duas semanas e, depois, fazer um refresh das características de cada um dos jogadores e não deixar cair os níveis de velocidade, resistência e de força", explica Paulo Rocha, frisando que o tempo de competição não é o único indicador do desgaste dos jogadores e que também está relacionado com a sua posição em campo: "Diferentes funções implicam maior ou menor solicitação física. O nível de desgaste é diferenciado para um jogador de meio-campo, mais posicional, e para alguém que tem de "explodir" rapidamente e de forma permanente."
O certo é que, apesar da diferença de utilização para os 23 que foram à África do Sul ser relativamente pequena em relação aos 23 que estarão na Polónia e na Ucrânia, aquela que poderá será a equipa titular no jogo da estreia em Lviv (Rui Patrício, João Pereira, Bruno Alves, Pepe, Coentrão, Meireles, Moutinho, Carlos Martins, Nani, Ronaldo e Hugo Almeida) tem bastantes mais minutos nas pernas do que a que defrontou de início a Costa do Marfim no último Mundial: 36.860 minutos contra 28.994


