O remo já foi uma das melhores delegações de Portugal em Pequim 2008
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Pedro e Nuno querem chegar à regata das medalhas
E se, de repente, o remo fosse uma das modalidades de ponta da participação olímpica portuguesa em Londres? Parece estranho. Mas não devia: afinal, o remo já foi uma das melhores delegações de Portugal em Pequim 2008. Só que poucos terão dado por isso. Apesar do oitavo lugar final na prova de double scull peso ligeiro, a dupla Pedro Fraga-Nuno Mendes manteve-se longe da ribalta. Desta vez, estão dispostos a, pelo menos, repetir a façanha. Mas sonham um bocadinho mais alto.
"O oitavo lugar de Pequim foi muito importante e temos a ambição de melhorar, mas nestes Jogos estar aqui já é muito difícil, todos são muito bons", disse Pedro Fraga. O remador modera o discurso, percebe-se que não quer entrar em euforias. Afinal, a diferença entre a exposição mediática e um (injusto) apagamento pode ser residual. Chegar à final A (com seis equipas) é possível, garante o presidente da Federação Portuguesa de Remo, António Rascão Marques, mas a verdade é que "há nove equipas no mesmo segundo e tudo vai depender também da sorte, do sorteio das meias-finais".
Como é que eles vêem esta coisa de andarem praticamente incógnitos durante três anos e meio e depois, de repente, as expectativas serem tão altas? "Às vezes é ingrato", concede Pedro: "Até conseguimos bons resultados internacionais e não temos divulgação. Só que isso não nos pode afectar. É natural e não é só o remo..." Uma coisa é certa: "Aos poucos, vamos conquistando o nosso espaço, vamos fazendo crescer a modalidade."
O mesmo balanço positivo é feito pelo presidente da federação. António Rascão Marques destaca um "crescimento de 50% desde 2005", o reforço do calendário, a popularidade de iniciativas como o Remo Sem Limites. Isto porque "a alta competição, sendo um dos sectores da actividade federativa, não pode ser a principal". Não é para todos, de facto. Para chegar ao topo, um remador tem de fazer 12.000 a 15.000km por ano...
Garantido o apuramento ainda em 2011, Pedro e Nuno puderam concentrar-se exclusivamente na sua participação olímpica. "Para Pequim 2008, qualificámo-nos na última oportunidade, tivemos de apontar a nossa preparação para um mês e meio antes dos Jogos e depois procurar um equilíbrio... Ainda assim, ficámos em 8.º. Desta vez, tivemos outros apoios [técnico, fisioterapeuta, centro de estágio] e o trabalho foi mais estruturado, pudemos planear o pico de forma para Londres", explica o primeiro.
Este estatuto de "selecção nacional", como o próprio Pedro assume, permitiu-lhes mesmo navegar em águas calmas quando o cenário interno se complicou devido ao anúncio da sua transferência do Sport Clube do Porto para o Sporting. "As questões à volta da transferência não nos afectaram. Nós tínhamos os estágios agendados, o treinador [o holandês Mark Emke] sempre presente. Estarmos ligados a um clube ou a outro era indiferente. Neste último ano não fizemos provas nacionais, só competimos a nível internacional."
Já no palco das regatas olímpicas desde o início da semana, a dupla portuguesa de double scull peso ligeiro quer, acima de tudo, "ganhar concentração" com vista à sua participação olímpica. As condições são "excelentes" e só mesmo o vento lateral pode levantar problemas. Mas as previsões meteorológicas não apontam para aí.


