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Foram lançados gritos de "macaco" contra jogadores como Nigel de Jong (na foto) e Gregory van der Wiel

Foto: Robin Utrecht/AFP
Grupo B

O racismo chegou ao Euro? Holandeses dizem que sim

A selecção de Itália e o jogador Mario Balotelli foram, até agora, os principais protagonistas do debate sobre eventuais manifestações racistas durante o campeonato europeu de futebol que começa nesta sexta-feira. Mas os primeiros a queixarem-se de algo do género são os holandeses, adversários de Portugal no grupo B.


Na quarta-feira, durante um treino da selecção holandesa, adeptos polacos lançaram apupos aos jogadores que treinavam no relvado. O que mais os irritou foram os "gritos de macaco", atirados da bancada em direcção a jogadores como Nigel de Jong e Gregory van der Wiel.

"É uma desgraça ser confrontado com isto, especialmente no dia em que fomos visitar Auschwitz", reagiu o "capitão" holandês, Mark Van Bommel, que tentou evitar estas atitudes da bancada dando instruções aos colegas para afastarem o treino, aberto ao público, para outro ponto do estádio que serve de casa ao Wisla Cracóvia.

O problema surgiu durante uma volta de aquecimento ao relvado, numa das pontas do estádio onde se encontrariam adeptos polacos. À segunda volta de aquecimento, os apupos e gritos eram ainda mais altos, o que levou a equipa a evitar passar por ali de novo. "Pelo menos agora já sabemos com o que podemos contar", disse mais tarde o seleccionador, Bert van Marwijk.

A comitiva holandesa levou o caso à UEFA, mas os responsáveis da entidade presidida por Michel Platini rejeitam a ideia de que os cânticos e apupos tivessem motivações racistas. Ao invés, para a UEFA, tratou-se de manifestações de desagrado pelo facto de Cracóvia ter ficado de fora do elenco de cidades polacas que irão receber jogos oficiais.

"Pior do que não ouvir é não querer ouvir", respondeu Van Bommel.

A questão do racismo tem estado em cima da mesa nos últimos dias. Mario Balotelli já deixou o aviso. Vários, até. Se alguém lhe atirar uma banana na rua, irá cometer um assassinato. Se ouvir insultos racistas durante um jogo do Euro 2012, a equipa italiana abandona o campo. Michel Platini, presidente da UEFA, não quer jogadores a abandonar as partidas a meio. A decisão de interromper um jogo, diz o antigo internacional francês, tem de ser sempre do árbitro. “Se um árbitro mandar parar um jogo, terá todo o nosso apoio. Não são os jogadores que dirigem os jogos. O árbitro tem instruções para parar o jogo se houver problemas”, argumentou nesta quarta-feira o francês em Varsóvia.

Eventuais manifestações de racismo nos estádios polacos e ucranianos durante a competição têm sido bastante discutidas nos últimos dias. Uma reportagem da BBC incluída no programa “Panorama” com o título “Estádios de Ódio” foi exibida na última semana e mostra grupos de extrema-direita em acção durante jogos de futebol nos dois países, para além de incluir o depoimento de um antigo internacional inglês, Sol Campbell, a apelar aos britânicos para ficarem em casa a ver os jogos pela televisão. Alguns familiares de dois jogadores negros da selecção inglesa, Theo Walcott e Alex Oxlade-Chamberlain, já anunciaram que não irão ao Euro.