O beijo da morte de Karagounis
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Festa grega, tragédia russa
O último eliminou o primeiro. A Grécia qualificou-se para os quartos-de-final e despachou a Rússia para casa.
Karagounis é um jogador de excessos. Mas consciente. Mal marcou o golo, no ocaso da primeira parte, desatou a correr e só parou nos braços que o esperavam no banco, sabia o que tinha feito, ele tão bem como todos os companheiros que o esperavam ansiosos para segurar a sua força. O treinador Fernando Santos aplaudiu-o. O golo podia muito bem significar a vitória, uma coisa rara na selecção grega — não o conseguia desde 2004, quando derrotou Portugal na final da Luz através do golo mais famoso da história helénica, apontado por Angelos Charisteas.
E foi o que acabou por acontecer: aquele momento aos 47 minutos, aproveitando um erro da defesa russa (Zhirkov perdeu a bola), valeu o triunfo por 1-0 e a qualificação da Grécia, com o bónus da eliminação da Rússia. Ou a vitória do último do grupo sobre o líder, posições invertidas mal o árbitro apitou para o fim do jogo. A Grécia passou como segunda classificada, a Rússia foi para casa mais cedo, escorraçada para o terceiro lugar.
Giorgos Karagounis é tão de excessos que viu o cartão amarelo a meio da segunda parte, o oitavo em fases finais de um Europeu — é o máximo de um jogador, à frente de Hagi (5), Nedved (5) e Zambrotta (5). Isso deixa-o de fora do jogo dos quartos-de-final (Holebas também viu amarelo e não joga), mas não é coisa que o atormente. Substituído para não ser expulso, foi o primeiro dos companheiros gregos a festejar a passagem à fase seguinte. Inquieto e efusivo, Karagounis invadiu o campo para retribuir os abraços.
O ex-benfiquista liderou uma selecção à beira do abismo. Mas é ali que a Grécia gosta de andar. Foi assim com Otto Rehhagel, esse seleccionador alemão que aceitou o ódio pelo seu futebol feio em 2004 e conquistou para a Grécia, com desprezo e desdém pela bola, o Euro 2004.
Agora com o português Fernando Santos, voltou a abraçar o jogo defensivo, viu-se encostada no primeiro jogo do Euro 2012, contra a anfitriã Polónia — a perder por 1-0 e com um jogador expulso (Papastathopoulos, aos 44’), conseguiu empatar por Salpingidis.
Nesse jogo, o excessivo Karagounis falhou um penálti. Ninguém lhe apontou o dedo. Aos 35 anos, é o segundo capitão mais veterano a marcar num Europeu, só atrás de Shevchenko, mais velho seis meses. A Grécia saiu viva com o empate 1-1.
No jogo seguinte, a derrota com a Rep. Checa (1-2) deixava os gregos a precisarem de bater a bela Rússia no derradeiro jogo — só a vitória daria a passagem. Os russos, líderes, primeiros em tudo, no futebol aberto que tinha permitido golear os checos, no ataque (5 golos marcados em dois jogos), soçobraram perante a força helénica. E aos excessos de Karagounis.
Ficha de jogo
Estádio Nacional, em Varsóvia, Polónia
Espectadores 55.614
Grécia Sifakis, Torosidis, Papastathopoulos, K. Papadopoulos, Tzavellas, Katsouranis, Maniatis, Salpingidis (Ninis, 83’), Karagounis a61’ (Makos, 67’), Samaras e Gekas (Holebas, 64’).
Treinador Fernando Santos.
Rússia Malafeev, Anyukov a65’ (Izmailov, 81’), A. Berezutski, Ignashevich, Zhirkov a69’, Shirokov, Denisov, Glushakov (Pogrebnyak, 72’), Dzagoev a70’, Kherzakov (Pavlyuchenko, 46’) e Arshavin.
Treinador Dick Advocaat.
Árbitro Jonas Eriksson, da Suécia.
Golo
1-0 por Karagounis, aos 45’+2’


