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Espanha 4 - Itália 0

Viena, Joanesburgo e Kiev, a história a vermelho e amarelo

Em 2008, em Viena, marcou Fernando Torres. Alemanha KO. Em 2010, em Joanesburgo, Iniesta desempatou no prolongamento. Holanda KO. Em Kiev, os espanhóis foram gulosos e escreveram uma história inédita no futebol com uma goleada frente a uma incapaz selecção da Itália. David Silva, Jordi Alba, Fernando Torres e Juan Mata marcaram os golos numa final onde o domínio espanhol não deixou dúvidas a ninguém. O mundo rendeu-se, mais uma vez, à Roja.


Há quatro anos e 10 dias, no Ernst-Happel-Stadion, em Viena, Fàbregas marcou a grande penalidade que qualificou a Espanha. O adversário era a Itália, Buffon foi batido e os espanhóis garantiram o acesso às meias-finais do Euro 2008. O resto é o início de uma história de sucesso: meia dúzia de dias depois, a Roja voltou a casa com um título que lhe escapava há 44 anos. Ninguém colocou em causa a justiça do triunfo da equipa de Luis Aragonés, o mundo rendia-se ao “tiqui-taca”. Dois anos depois, na África do Sul, já com uma cara nova no banco (Vicente del Bosque), surgiram as primeiras críticas. Uma derrota contra a Suíça, muitos sofridos 1-0. Mas a Espanha regressou de Joanesburgo com um inédito título mundial. Em Kiev, o ciclo completou-se.

A Itália voltou a estar no caminho da Roja, a selecção que, neste Euro 2012, a imprensa transalpina rotulou de “aborrecida”. A resposta de Xavi, Iniesta, Casillas e companhia foi dada em campo. Há noventa e dois anos que os espanhóis não venciam os italianos em jogos oficiais. Nunca nenhuma selecção tinha conquistado três grandes títulos consecutivos. Dino Zoff detinha o recorde do guarda-redes que mais minutos manteve a sua baliza inviolada num Europeu. Tudo isso passou a ser história no futebol. Uma história escrita a vermelho e amarelo.

No jogo de estreia das duas selecções na prova, na Arena Gdansk, Del Bosque surpreendeu ao colocar Fàbregas como “falso nove”. Do outro lado, Cesar Prandelli também inovou. A Itália estava “pessimista”, carregava nos ombros uma humilhante derrota contra a Rússia, por 0-3, e um cheirinho a catenaccio, com um sistema de três defesas, não podia chocar ninguém. Mas o jogo mostrou uma Squadra Azzurra corajosa e uma Roja presa numa teia bem montada.

Precisamente três semanas depois, Del Bosque, depois de testar Fernando Torres e Negredo, voltou à fórmula inicial e acabou o Euro exactamente com o mesmo “onze” com que começou. As diferenças estavam no campo oposto. Embalados por uma competição sempre em crescendo, os azzurri foram exorcizando os fantasmas que os perseguiam e, após a autoritária exibição frente à laxista selecção alemã, voltaram a defrontar um candidato olhos nos olhos. Mas se na meia-final de Varsóvia a Itália pouco tinha a perder, desta vez era uma final. E as finais não se jogam, ganham-se.

O jogo mostrou uma Espanha que não queria deixar escapar por entre os dedos uma oportunidade única. Nos primeiros cinco minutos os azzurri ainda se mostraram audazes, mas aos nove os adeptos espanhóis já gritavam “olé” e, aos 14’ já estavam a ganhar: Xavi-Iniesta-Fábregas-Silva. Tudo simples, tudo perfeito, bola de cabeça no fundo da baliza. Contra a Alemanha a Itália tinha resistido ao impacto inicial, desta vez não. E nunca tinha estado em desvantagem neste Euro. A reacção até foi boa, mas Casillas estava decidido a tirar o recorde de Zoff (494 minutos sem sofrer golos) e evitou o empate aos 16’, 27’, 29’ e 33’. Ao desperdício azul, a Roja respondeu com cinismo: minuto 41, contra-ataque, assistência à Xavi, golo de Jordi Alba. A Bella Italia estava finitta.

E a segunda parte acabou por ser penosa para os italianos. Aos 61’, com a lesão de Motta, os italianos ficaram reduzidos a 10 jogadores (Prandelli já tinha feito as três substituições) e a Espanha aproveitou para banquetear-se. Aos 84’ Torres, que tinha entrado aos 75’, fez o 3-0 — mais uma assistência de Xavi — e, quatro minutos depois, foi a vez de o avançado do Chelsea oferecer um presente a Juan Mata. Tudo simples, tudo fácil, nada aborrecido, numa história escrita a vermelho e amarelo. Recorde o relato ao minuto


Positivo

Xavi
A UEFA atribuiu a Iniesta o prémio de melhor jogador em campo, mas Xavi merecia sair da final de Kiev com essa distinção. Aos 32 anos, o médio do Barcelona teve altos e baixos — contra Portugal não foi tão influente como é hábito —, mas frente aos italianos, num confronto particular com Pirlo, o número 8 da Roja esteve ao seu nível. Preponderante na batalha a meio-campo, Xavi estendeu a passadeira para Alba e Torres, que frente a Buffon não tiveram dificuldades para marcar.Iniesta
O prémio de melhor jogador do Euro 2012 não lhe vai escapar. Foi considerado em três partidas o “homem do jogo” e fez um grande Europeu.

Jordi Alba
O golo que marcou é um prémio merecido. Foi uma das revelações da prova e resolveu de vez o problema que a Espanha tinha no lado esquerdo da defesa. Agora segue-se o Barcelona.

Casillas
Apenas sofreu um golo, no primeiro jogo contra a Itália, e muito do mérito da vitória da Espanha no Euro 2012 é do guarda-redes do Real Madrid.


Negativo

Cassano
Contra a Alemanha desequilibrou, desta vez desiludiu. O avançado do AC Milan passou ao lado do jogo e acabou substituído ao intervalo. Ameaçou calar os espanhóis que lhe tinham chamado “gordo”, mas deu-se mal.

UEFA
Uma final com bastantes cadeiras vazias é apenas mais uma prova de que, ao contrário do que afirmou Michel Platini, nem tudo foi “perfeito” neste Europeu. Na Polónia tudo correu relativamente bem, mas na Ucrânia os adeptos depararam-se com inúmeros problemas.


Ficha de jogo:

Espanha: Iker Casillas, Piqué, Sergio Ramos, Arbeloa, Jordi Alba; Iniesta (Juan Mata 87'), Xavi Hernández, Cesc Fàbregas (Fernando Torres 75'), Xabi Alonso, Busquets, David Silva (Pedro Rodriguez 59').

Suplentes: Valdés, Reina, Albiol, Martínez, Juanfran, Cazorla, Navas, Rodríguez, Torres, Negredo, Mata, Llorente.

Itália: Buffon, Chiellini (Balzaretti 21'), Abate, Barzagli, Bonucci; Marchisio, De Rossi, Montolivo (Thiago Motta 57'), Pirlo; Balotelli, Cassano (Di Natale 46').

Suplentes: Sirigu, De Sanctis, Maggio, Ogbonna, Balzaretti, Motta, Giaccherini, Diamanti, Nocerino, Di Natale, Borini, Giovinco.

Golos: David Silva (14'), Jordi Alba (41'), Fernando Torres (84'), Juan Mata (88')

Árbitro: Pedro Proença (Portugal)

Acção disciplinar: Amarelo para Piqué (25'), Barzagli (45')

Estádio: Olímpico de Kiev (Ucrânia)

Assistência: 63.170 espectadores