A partir do ano 2000, os nórdicos começaram a ganhar terreno
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Em seis anos Portugal passou de predador a presa da Dinamarca
O adversário de amanhã, na Arena Lviv, tem sido uma das pedras mais recentes no sapato da selecção portuguesa, embora não saiba como tapar os caminhos da baliza.
Quem é o patinho feio do Grupo B do Euro 2012? Depois do desfecho da primeira jornada, a resposta tornou-se ainda mais difícil de encontrar. A Dinamarca, que nos livros de apostas tinha ficado com o rótulo, bateu o pé à Holanda e começou cedo a baralhar todas as previsões. Mas se havia um adversário com razões para desconfiar do vaticínio, era Portugal. A actual selecção nacional sabe como nenhuma outra quão ingrata é a tarefa de defrontar os dinamarqueses, que desde 2006 começaram a equilibrar o histórico entre as duas equipas.
A Dinamarca entra nesta fase final com grande estabilidade. Morten Olsen, jogador e treinador carismático, pegou nas rédeas da equipa em 2000 e continua a seguir a mesma linha de pensamento e a mesma filosofia de trabalho. Esta geração não tem o talento da sua (com um futebol que seduziu o mundo na década de 1980), mas funciona na base do rigor táctico e de alguma capacidade de improviso no último terço do terreno. Tem sido assim que tem batido o pé a Portugal.
Durante o século XX, a selecção portuguesa predominou com relativa facilidade: somou seis vitórias, a primeira de todas a 21 de Junho de 1966, num encontro particular (3-1), um empate e nenhuma derrota. O resultado mais folgado surgiu cinco anos depois do duelo de estreia, com um triunfo por 5-0 no Estádio das Antas, num jogo de qualificação para o Campeonato da Europa de 1972.
A diferença foi-se esbatendo, porém, e no primeiro braço-de-ferro na fase final de um Europeu o resultado foi um empate (1-1, em 1996). E quando, a partir do ano 2000, Portugal e Dinamarca passaram a defrontar-se mais assiduamente, os nórdicos começaram a ganhar terreno e a inverter os termos da equação. Nos últimos cinco jogos, impuseram três derrotas aos portugueses (que só venceram uma vez) e, recentemente, obrigaram Paulo Bento e companhia a disputarem o play-off de apuramento para este Europeu.
Contas feitas, o balanço global ainda é favorável à selecção portuguesa (oito triunfos, dois empates, três derrotas), mas os confrontos mais recentes mostram uma inversão de tendência. Razão mais do que suficiente para Portugal encarar com cautelas redobradas o jogo de amanhã. "Quando se chega a este nível, a diferença entre as equipas é muito curta", afirmava Peter Schmeichel em entrevista ao Record, em Março passado. "Penso que a Dinamarca vai ser um grande problema para Portugal", acrescentava o antigo guarda-redes do Sporting e da selecção que venceu o Europeu de 1992.
O jogo frente à Holanda só veio dar razão a Schmeichel. Os nórdicos chegam à segunda partida do Euro 2012 na frente do grupo, lado a lado com a Alemanha, e podem dar-se ao luxo de esperar que Portugal assuma a iniciativa do jogo. Seja como for, os jogadores continuam a sentir-se confortáveis na pele de outsiders. "Creio que as pessoas ainda olham para nós como a equipa que vai ficar pelo caminho. Não damos nada como garantido", assinalou Nicklas Bendtner, autor de quatro golos em quatro jogos contra Portugal.
O avançado do Arsenal (que esteve emprestado ao Sunderland em 2011-12), a principal referência atacante da equipa de Morten Olsen, foi ofuscado na estreia pela exibição de Michael Krohn-Dehli, autor do golo frente à Holanda e responsável pelos principais lances de perigo da Dinamarca. Portugal terá de preocupar-se com ambos para poder contornar a entrada com o pé esquerdo no torneio. Até porque tem duas experiências distintas na sequência de estreias infelizes: em 2004, perdeu com a Grécia (1-2), mas chegou à final; em 2002, no Mundial da Coreia/Japão, caiu aos pés dos Estados Unidos (2-3) e não foi além da fase de grupos.
A fotografia que Nani tirou ao próximo obstáculo da prova vai nesse sentido: "Vamos querer assumir o jogo. Vamos querer atacar, sempre com muita cautela, porque a Dinamarca já mostrou que sabe jogar", avisou, a partir de Opalenica. "Sabemos que é um jogo em que o mais importante vai ser ganhar", completou. Para o conseguir, Portugal terá de fazer golos. E, nesse aspecto, os números até sopram a favor, já que nos 13 jogos frente aos nórdicos não houve um único em que tivesse ficado em branco.


