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Pedro Proença arbitrou também a final da Liga dos Campeões

Foto: Nigel Roddis/Reuters
Final

Dobradinha inédita de Proença na UEFA, em que é mais fácil apitar

Não era a equipa que o país desejava, mas a final do Euro 2012 vai mesmo ter uma selecção de portugueses em acção. A UEFA escolheu Pedro Proença para arbitrar o último encontro da competição, que será disputado amanhã entre Espanha e Itália. Pela primeira vez, um português apitará o jogo do título do Europeu, mas a sua nomeação ganha ainda maior relevância por acontecer um mês e dez dias depois de também ter apitado a final da Liga dos Campeões, uma "dobradinha" nas duas provas mais importantes da UEFA que mais ninguém conseguiu no mesmo ano.


Proença, que será ajudado pelos auxiliares Bertino Miranda e Ricardo Santos e pelos árbitros de baliza Jorge Sousa e Duarte Gomes, consegue um feito parecido com o de Howard Webb em 2010, quando dirigiu a final da Liga dos Campeões e a do Mundial. O inglês e o italiano Nicola Rizzoli, que saiu da corrida devido ao apuramento dos azzurri, eram as outras opções para arbitrar o jogo de amanhã em Kiev (Ucrânia), mas a UEFA decidiu-se por Proença, que assim completa uma época de sonho, iniciada com um caso lamentável, a agressão de que foi alvo em Agosto no Centro Comercial Colombo, em Lisboa.

A nomeação do lisboeta de 41 anos, que já apitou os dois finalistas neste Europeu (Espanha-Irlanda e Itália-Inglaterra) e ainda o França-Suécia, prestigia a arbitragem portuguesa, mas levanta uma interrogação: por que é que é reconhecida pela UEFA quando é constantemente contestada pelos elementos ligados ao futebol em Portugal? Para Pedro Henriques, ex-árbitro, e Delfim, ex-jogador, a resposta simples: é que é mais fácil apitar nas provas da UEFA do que em Portugal. E dizem também que os nossos árbitros são tão bons como os de outros países.

Henriques dá como exemplo um possível erro de Proença (agarrão a John Terry na área italiana) nos quartos-de-final entre Itália e Inglaterra. "Em Portugal, essa situação seria motivo para uma semana de críticas. Ali não. Há aceitação do eventual erro, que não é escandaloso. Isso faz logo a diferença", afirmou ao PÚBLICO. O antigo árbitro refere igualmente que os castigos mais pesados nos jogos da UEFA ajudam os jogadores a comportarem-se melhor nos jogos europeus. "Os jogadores em Portugal sentem que há mais impunidade. Por outro lado, a UEFA é mais rigorosa, as punições são maiores, portanto a atitude dos jogadores é melhor."

A atitude dos atletas do campeonato português é também referida por Delfim, que pede uma mudança de mentalidade. "Parte do problema tem a ver com os jogadores. Simulam muito e reforçam as situações para enganar o árbitro e para serem beneficiados. Este, muitas vezes, é induzido em erro e prefere apitar para não correr o risco de errar". O antigo internacional, que já representou clubes como o Boavista e o Sporting, tem termo de comparação, pois já jogou no Marselha e também no Young Boys. Curiosamente, em 2005-06, ao serviço da equipa francesa, foi apitado por árbitros portugueses (João Ferreira e Olegário Benquerença) na Taça UEFA em dois jogos. A diferença notou-a não nos árbitros, mas nos jogadores. "Não discutem tanto", disse Delfim, que acredita que os árbitros - todos - continuarão a errar e por isso defende o uso de câmaras para auxiliar as decisões.

A nomeação de Pedro Proença foi vista como uma prova da qualidade da arbitragem nacional por Vítor Pereira, líder da Comissão de Arbitragem da FPF, e pela Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol, mas opinião diferente tem o presidente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, Mário Figueiredo, para quem os árbitros portugueses actuam melhor no estrangeiro do que em Portugal. "É preciso que a qualidade da arbitragem portuguesa e do seu comportamento no estrangeiro seja repetida depois em Portugal. É importante que haja qualidade ao longo do ano e que ela se repita em jogos grandes, médios e pequenos, de forma equitativa. Ficam aqui os meus parabéns ao Pedro Proença, porque acho que é um feito importante para ele pessoalmente e um desafio. E que replique nos jogos em Portugal a mesma qualidade que tem apresentado nos jogos no estrangeiro". Com Paulo Curado