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Crónica de jogo

Grécia não prestou vassalagem, mas a Alemanha manda no Euro

Quando Samaras empatou o jogo, Gdansk estremeceu. Por momentos, pareceu possível a Grécia empurrar a toda-poderosa Alemanha para fora do Euro, mas a esperança eclipsou-se seis minutos depois. A resposta germânica ao atrevimento helénico foi autoritária e severa e, no final, a selecção de Fernando Santos acabou derrotada por 4-2. A Alemanha segue para Varsóvia, onde joga a meia-final, a Grécia regressa a casa.


Nas últimas décadas será difícil encontrar uma competição tão politizada como o Euro 2012. Antes de o torneio começar, os principais líderes europeus anunciaram um boicote aos jogos na Ucrânia devido à detenção de Yulia Tymoshenko. Já em competição, Polónia e Rússia estiveram perto de um incidente diplomático após confrontos entre adeptos dos dois países, e até o conflito entre unionistas e republicanos, na Irlanda do Norte, teve um ligeiro reacendimento quando a Irlanda comemorou, contra a Itália, o 18.º aniversário do “massacre de Loughinisland”.

Mas o auge da promiscuidade no futebol e política aconteceu nesta sexta-feira, na Arena Gdansk. Pela primeira vez Angela Merkel assistiu a um jogo da sua mannschaft no Euro 2012. E a chanceler acertou na mouche: escolheu um adversário sedento por a mimosear com a humilhação de uma derrota. Para além dos 11 jogadores escolhidos por Fernando Santos, os helénicos entraram em campo com 11 milhões de gregos ávidos por vingar, no campo, as dificuldades económicas que sentem por, dizem eles, culpa da repressiva Merkel.

Politiquices à parte, já se sabia que Santos teria um problema no jogo: a ausência de Karagounis, capitão e líder da equipa. Sem o ex-benfiquista, apostou em Makos, manteve o resto da estrutura. Surpreendentes foram as opções do outro lado onde Joachim Löw revolucionou o ataque: Gomez, Podolski e Müller ficaram no banco, Klose, Reus e Schürrle avançaram para o assalto à baliza grega. Apesar da qualidade do experiente ponta-de-lança e do potencial dos extremos, as escolhas soaram a sobranceria perante a equipa grega.

O roteiro do jogo foi tão previsível como os assobios que se ouviram, vindos da bancada grega, quando Merkel surgiu no ecrã gigante. Desde o primeiro minuto que a Alemanha tomou conta do jogo, enquanto os gregos apostavam na austeridade defensiva. Aos 4’, Klose meteu a bola no fundo da baliza, mas estava ligeiramente fora-de-jogo. Depois, foi uma avalanche de oportunidades com Sifakis a defender-se como podia entre os postes. Até que, aos 39’, Lahm puxou os galões de capitão e acabou com a resistência grega: grande golo do defesa do Bayern.

O jogo parecia resolvido na primeira parte, mas aos 55’, quando Samaras finalizou em golo um contra-ataque grego, a luz ao fundo do túnel reacendeu-se para os adeptos gregos. O atrevimento, porém, saiu-lhes caro. Em apenas 13 minutos (entre os 61’ e 74’), os alemães marcaram por Khedira, Klose e Reus, mostrando que a Alemanha manda na Europa e no Europeu. O golo de Salpingidis, de penálti no minuto, ficou como prémio para o esforço e valentia grega.

POSITIVO
Khedira

A UEFA escolheu como “homem do jogo” Mesut Özil, mas o prémio atribuído ao médio ofensivo do Real Madrid é injusto para Sami Khedira, seu colega na equipa espanhola. O número 6 da mannschaft esteve em todo o lado. Defendeu bem, apoiou o ataque e marcou o golo que desbloqueou o quebra-cabeças grego. Foi o melhor jogo de Khedira no Euro 2012.

Özil
Sem Gomez, Podolski e Müller, o jogo aumentou de responsabilidade para Özil e o médio não falhou. Foi, a par de Khedira, uma das figuras da partida.

Reus
Tem apenas 23 anos e foi contratado pelo Borussia por 17,5 milhões de euros. Mostrou que é uma excelente aposta dos campeões alemães.

NEGATIVO
Damir Skomina

Mais uma má arbitragem. O esloveno complicou e teve duas medidas: rigor com os gregos, complacência com os alemães.

Ficha de jogo
Estádio Arena, em Gdansk, Polónia

Espectadores Cerca de 40.000

Alemanha Neuer, Boateng, Badstuber, Hummels, Lahm, Schweinsteiger, Khedira, Reus (Götze, 80’), Özil, Schürrle (Müller, 67’), e Klose (Mario Gómez, 79’). Treinador Joachim Löw.

Grécia Sifakis, Torossidis, Papastathopoulos a75’, Papadopoulos, Tzavellas (Fotakis, 46’), Makos (Liberopoulos, 72’), Maniatis, Ninis (Gekas, 46’), Katsouranis, Samaras a15’ e Salpingidis. Treinador Fernando Santos.

Golos Lahm 39’, Samaras 55’, Khedira 61’, Klose 68’, Reus 74’, Salpingidis 89’ g.p.

Árbitro Damir Skomina, da Eslovénia
Notícia actualizada às 22h50