Fàbregas destacou contra-ataque da equipa portuguesa
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A "incrível falta de critério" da UEFA dá "vantagem" a Portugal, dizem os espanhóis
Até há três semanas, Gniewino era um nome estranho, até para grande parte da população polaca. Perdida no Norte do país, esta vila com pouco mais de mil habitantes entrou no mapa do futebol mundial a 5 de Junho, quando a selecção espanhola aterrou na Polónia. Mas, a partir de hoje, Gniewino não voltará a contar com a presença da Roja: os jogadores espanhóis optaram por permanecer na Ucrânia se conseguirem a qualificação para a final do Euro. Objectivo? Evitar o desgaste que admitem sentir antes do jogo contra Portugal. "Não é um cenário perfeito", reconheceu Xabi Alonso.
Cesc Fàbregas e Xabi Alonso foram os últimos jogadores a falarem no Centro de Imprensa da Espanha, em Gniewino. Durante 31 minutos, Fàbregas e Alonso responderam a 17 perguntas e apenas um tópico mereceu, por parte dos media espanhóis, dose dupla. Cristiano Ronaldo? Não. A sexta e última questão dirigida aos dois jogadores focou-se na possível desvantagem da Espanha em relação a Portugal, por ter menos dois dias de descanso.
Após o triunfo frente à França, em Donetsk, nos quartos-de-final, a Espanha optou por regressar imediatamente ao seu quartel-general, na Polónia. Com isso, a equipa espanhola realizou um voo de 2h30 entre Donetsk e Gdansk, tendo ainda que efectuar uma viagem de autocarro de 70 km até Gniewino. Quando os jogadores da Roja chegaram, finalmente, ao Hotel Mistral, já passavam das cinco da madrugada. A hora tardia do regresso resultou num apertado programa de preparação do jogo contra Portugal: folga no domingo, treino ontem, regresso à Ucrânia hoje. Para o jornal El País, os jogadores espanhóis encontram-se agora "no limite físico" e a culpa é da "incrível falta de critério" da UEFA que "concede a vantagem" a Portugal de "chegar às meias-finais com 48 horas de descanso a mais do que o rival". As reclamações espanholas têm eco na equipa italiana, que também se queixa do mesmo em relação à Alemanha. No entanto, ao contrário da Espanha, a Itália não teve a "vantagem" de ter sido a única selecção que disputou as três partidas da fase de grupos no mesmo estádio: a Arena Gdansk.
Alonso, muito mais activo do que o inibido Fàbregas, foi o porta-voz da Roja em ambas as perguntas sobre a polémica e a ideia transmitida foi sempre a mesma: "É uma condicionante"; "não é um cenário perfeito"; "temos que viver com isso". O médio do Real Madrid afirma que os jogadores espanhóis têm tentado "recuperar o mais rápido possível" e acredita que será possível estar "a 100% no dia do jogo".
Com ou sem desgaste, Alonso garante que Vicente del Bosque não preparou qualquer "plano anti-Ronaldo". "Jogamos sempre da mesma maneira, independentemente do rival. Conhecemos bem o Cristiano e podemos fazer pequenos ajustes, nada mais", refere. Fàbregas destacou na equipa portuguesa o "contra-ataque", mas acrescentou que Portugal "não é apenas isso": "Tem jogadores com capacidade para segurar a bola, como o Moutinho, o Meireles ou o Almeida, e depois tem o Nani e o Cristiano que são duas flechas nas alas."


